sábado, 16 de abril de 2011

Etiquetas do Dojo - KARATE SHOTOKAN


Saudação
Vou falar agora, um pouco da parte cerimonial do Karate, das saudações de início e encerramento que são muito importantes  pois nos permitem adquirir um estado de espírito próprio para o treinamento, além de nos ensinar a disciplina e o respeito próprios de nossa arte .
Tudo começa pela cerimônia, “Rei”, em japonês e sem a qual, não é possível adquirir o estado de espírito necessário.
Encontramos uma grande importância no cerimonial. Permite-nos estar em harmonia com o Espírito dos Grandes Mestres que nos precederam no estudo da Via (Do).
Não aprender somente as práticas exteriores, mas também compreender o espírito e as razões profundas do cerimonial, é um dos grandes objetivos da prática das Artes Marciais.
A saudação no Japão executa-se de duas formas diferentes: uma simples e natural (Ritsu Rei) a outra (Za Rei), mais cerimoniosa.
Vamos detalhar agora o cerimonial coletivo, executado, antes e depois de um treino de Karatê-Do.
Quando o Sensei diz: “Hajime mashô” (Vamos começar!):
1º – O aluno mais graduado da classe, (Senpai), dá a voz de “Segatsu”, isto é, “alinhar”. Nessa altura, os karatecas alinham em pé, do lado “Shimoza”, voltados para o “Kamiza”, dispostos por graduações no sentido longitudinal do Dojo, ficando, o praticante mais novo da classe (Kohai), numa extremidade do Dojô, e o karateca mais graduado (Senpai), na outra, em Shimoseki.
Durante o alinhamento e à voz de “Ki otsuke” (Arranjar o karatê-gi), os karatecas devem assumir uma postura correta, de pernas unidas, com o Gi (uniforme) e o Obi (faixa) devidamente compostos.
2º – O Sensei coloca-se no Kamiza, virado para a frente, para o Tokonoma e, será ele o primeiro a assumir a posição de Zazen, como indicação de que o cerimonial se iniciou.
3º – Dá-se a voz de “Senza” (Ajoelhar), e todos os praticantes deverão assumir a mesma posição, em ordem hierárquica decrescente;
4º – Dá-se a voz de “Mokuso” (Meditar/Concentrar), para uma breve concentração da mente, «Durante este período, os karatecas deverão abstrair-se das preocupações exteriores ao Dojo e disponibilizarem-se para o treino.
5º Após este período de reflexão, à voz de “Mokuso Yame” (Parar de meditar), dá-se a voz de “Shomen Ni Rei” (Saudação para a frente, em silêncio).
É o momento para todos os karatecas, incluindo o Sensei, fazerem a saudação, supostamente, à Entidade Suprema, ao Grande Mestre (Shihan), à própria arte em si, como sinal de respeito.
6º – Seguidamente, à voz de “Sensei Ni Rei” (Saudação para o professor), os alunos e professor cumprimentam-se simultaneamente entre si, proferindo a palavra “Oss!”,.
7º Se o Senpai estiver presente, em Shimoseki, seguir-se-á a voz de “Hidari mite” (olhar para a esquerda),  ou ” Migi mite ” ( olhar para a direita ) dependendo o lado q o sempai estiver, em que todos devem se virar para Shimoseki, em diagonal, e à voz de “Senpai Ni Rei” (saudação para o Senpai), estes se cumprimentam entre si, proferindo a palavra “Oss!”.
8º Terminado o cerimonial em Za Rei, o Sensei levanta-se, dando indicação ao Senpai, à voz de “Tate Kudassai” (por favor levante-se), para que se levante também, sendo depois, a vez dos restantes praticantes, os quais, levantar-se-ão, por ordem hierárquica decrescente, calma e serenamente.
9º Quando todos os karatecas estiverem em pé, após o cerimonial, soará uma última voz “Otogai Ni Rei” (saudação para todos) e todos voltam a fazer uma saudação entre si, proferindo a palavra “Oss”!.                                                                                                                                                                                                                                                                            CERIMONIAL FINAL
Depois dos exercícios finais, o Sensei dará por terminada a aula à voz de “Sore Made” (acabou).
1º Nessa altura, dá-se a voz de “Segatsu” (alinhar), como no início é indicado no 1º item do Cerimonial Inicial, para todos os karatecas alinharem para o cerimonial final.
2º Segue-se a mesma ordem que no Cerimonial Inicial (2º, 3º e 4º  do Cerimonial Inicial).
3º Após a voz de “Mokuso Yame (parar de meditar), haverá a voz de “Dojo Kun”, (lemas do Dojo).
Depois do “Dojo Kun”, o cerimonial segue-se igual como se indicou no 5º item do Cerimonial Inicial e nos seguintes.
Atenção: Toda e qualquer saudação, exceção feita ao 5º item, deve ser procedida com a palavra “Oss”.
Este “Oss” deve ser gutural, cujo som deve ser emitido do baixo-ventre, saindo do fundo das nossas entranhas e deve ser acompanhado de uma saudação apropriada, a qual denote respeito, simpatia e confiança no nosso interlocutor. Significa um cumprimento de grande amizade que deve existir entre os praticantes, instrutores e alunos.
Existem várias fórmulas, mas em todas a mensagem é a mesma: a evidenciação da hierarquia e da disciplina que norteiam o trabalho naquele DOJO (local de treinamento).
A hierarquia começa na disposição: o Sensei (mais antigo) em destaque todos os demais posicionados em ordem decrescende de graduação (que equivale à antiguidade militar) se colocam em fila diante do retrato do Fundador do Estilo e em pé ou ajoelhados e demonstrarão humildade ao demonstrar respeito e gratidão a ele em primeiro lugar (Chomey-ni), depois todos demonstrarão seu reconhecimento ao responsável pelo DOJO (Sensei-ni), e, por último, cumprimentarão mais uma vez entre si (Otagai-ni), podendo ou não haver um cumprimento a um aluno mais antigo auxiliar dele (Sempai-ni).
Há quem advogue a desnecessidade deste tipo de procedimento entendendo que pode-se passar diretamente ao treinamento, o que discordamos, pois então, teríamos que questionar também os kimonos brancos e as faixas: o cumprimento não é só tradição cultural é a forma tradicional de mostrar disciplina e respeito, pois qualquer um que chegar e ver o início e término da aula verá que há uma autoridade central naquele local e mesmo ela tem respeito por outra.
Numa sociedade desacostumada  ao respeito soa estranho este tipo de atitude, mas nossa  sociedade não é exatamente modelo de formação de bons caracteres e quem sabe não seja um pouco de formalismo que esteja faltando, pois se o ato exterior não garante, concordamos, existência de espírito crítico, ao menos ajuda a tornar mais fácil a convivência.
Sensei Edson

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