terça-feira, 5 de abril de 2011

Cientistas encontram gene ligado ao consumo de álcool


Arquivo AE


De acordo com estudo inglês, pessoas que têm a versão mais comum do gene AUTS2 tende a beber mais

04 de abril de 2011 | 16h 18

estadão.com.br

SÃO PAULO - Cientistas identificaram um gene que aparentemente influencia no quanto alguém consome de álcool, aponta estudo com mais de 47 mil pessoas publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O achado poderá ajudar no entendimento do comportamento das pessoas que bebem e têm dificuldade em deixar o álcool.

O gene, chamado "candidato 2 de suscetibilidade autista" (AUTS2), foi anteriormente, como o nome sugere, ligado ao autismo e ao distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade, mas não se sabe ao certo qual é a sua função.
Este estudo, conduzido por cientistas do Imperial College London e da King's College London, revelou que há duas versões do gene AUTS2, um deles é três vezes mais comum que o outro. Pessoas com a versão menos comum bebe cerca de 5% menos bebida alcoólica do que as demais. O gene é mais ativo em partes do cérebro associados com o mecanismo neuropsicológico de recompensa.
Já se sabia que os genes tinham um papel neste processo, mas único conhecido por fazer uma contribuição no quanto as pessoas bebem era o gene de codificação da desidrogenase, enzima que quebra as moléculas de álcool no fígado.
"Claro que há vários fatores que afetam quanto de álcool um pessoa bebe, mas sabemos que os genes desempenham um papel importante. A diferença que este gene em particular faz é pequena, mas descobrindo isto nós abrimos uma nova área de pesquisa nos mecanismos biológicos de controle do consumo de bebidas alcoólicas", disse o professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública da Imperial College London.
Os pesquisadores analisaram amostras de DNA de mais de 26 mil voluntários procurando pelo gene que aparentemente afeta o consumo de álcool, e depois verificaram os achados com as descobertas em outras 21 mil pessoas. Os voluntários reportaram o quanto beberam por meio de questionários.
Uma vez identificado o AUTS2, foi examinado o quanto do RNA mensageiro, uma cópia do código genético usado na produção de proteína, estava presente em amostras de tecido cerebral doados para a pesquisa. A equipe então descobriu que aqueles que tinham a versão do gene associada com o baixo consumo de álcool produz mais RNA mensageiro, o que significa que o gene é mais ativo.
Os pesquisadores também investigaram cepas de camundongos que foram escolhidos de acordo com o quanto de álcool consumiam voluntariamente. Eles descobriram que havia diferenças nos níveis de atividade dos genes AUTS2 entre as diversas raças que ingerem mais ou menos álcool. Uma observação em gene relacionado em moscas das frutas também foi levado em consideração e mostrou que o AUTS2 influencia o consumo de álcool em várias espécies.
"Nestes estudos nós combinamos pesquisas genéticas com investigação do comportamento animal. Como as pessoas bebem por motivos diferentes, entender o comportamento influenciado pelo gene nos ajuda a entender a base biológica destes motivos. Este é um passo importante em direção ao desenvolvimento da prevenção individual e tratamento para o alcoolismo, avalia o professor Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College London.

Cerveja e variação genética combinados aumentam risco de câncer gástrico

Estudo espanhol avaliou dados de pesquisa europeia com mais de 500 mil pessoas

04 de abril de 2011 | 16h 38

estadão.com.br

Patrícia Cruz/AE

SÃO PAULO - A combinação do consumo de muita cerveja e uma variação genética específica nos genes que metabolizam o álcool aumenta significantemente o risco de desenvolver câncer gástrico, de acordo com um estudo apresentado na 102ª Reunião Anual da Associação Norte-Americana de Pesquisa do Câncer, em Orlando, na Flórida.

O risco também é elevado, mas não de forma significativa, naqueles que bebem muita cerveja mas não apresentam esta variação genética, conhecida como rs1230025, e para aqueles que não bebem, mas apresentam as variações conhecidas como rs1230025 or rs283411. O estudo foi liderado pelo Dr. Eric Duekk, epidemiologista do Programa de Pesquisas para Câncer Epidemiológico do Instituto de Oncologia da Catalunha, na Espanha.
Este é o segundo tipo de câncer que mais mata no mundo. Há tempo acredita-se que exista uma ligação entre o consumo de álcool o desenvolvimento da doença, mas estudos anteriores mostravam resultados conflitantes.
Duell e sua equipe conduziram uma análise sobre o consumo de álcool e o risco de desenvolver câncer gástrico em mais de 500 mil pessoas com idades entre 35 e 70 anos que participaram de um estudo europeu realizado entre os anos de 1992 e 1998.
Os pesquisadores avaliaram o tipo de álcool consumido (se vinho, cerveja ou licor) e a localização e estágio do câncer. A associação encontrada foi restrita à cerveja. Os resultados mostraram que beber o equivalente a 30 gramas ou mais de álcool puro proveniente da cerveja foi ligado ao aumento de 75% do risco em desenvolver câncer gástrico. Vinho e licor não foram associados a este risco, de acordo com Duell.
O mecanismo exato sobre como o álcool causa o câncer gástrico é desconhecido. No entanto, Duell diz que há hipóteses envolvendo a influência de um metabólito do álcool (acetaldeído, um componente tóxico e cancerígeno) e nitrosaminas como a N-nitrosodimetilamina, encontrada na cerveja, no desenvolvimento da doença.

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