segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O QUE É SER APÓSTOLO?


Como saber se um "apóstolo" é genuíno?
Fico espantado de ver quantos cristãos hoje defendem posições, títulos ou idéias que nada mais são do que tradições que os próprios homens criaram. A idéia de um Papa é uma delas, outra é a de homens com poderes especiais para servirem de intermediários entre Deus e os homens, sejam eles católicos ou protestantes. O certo seria não perdermos tempo e energia tentando proteger e manter o "status quo" da cristandade que vemos ao nosso redor... a menos que tivéssemos algum interesse escuso nisso.

Muito do que vemos na cristandade ao nosso redor foi edificado sobre idéias humanas e não passam de tradições de homens. Aliás, a maioria dos erros na cristandade se apóiam nestes pontos: Tradição, Direção Humana e Sabedoria Humana. Quer saber o que penso sinceramente? É muita pretensão alguém adotar para si o título de apóstolo. Por que? Oras, porque na Bíblia encontro algumas condições ou características para alguém ter sido um apóstolo:

Viu o Senhor. 1 Co 9:1; 1 Co 15:8.

Foi escolhido e enviado pelo Senhor Lc 6.13; Jo 6.70; At 9.15; 22.213.

Testemunhou Sua ressurreição At 1.22; 1 Co 15.8,15

Lançaram e formaram o alicerce da Igreja, da qual Jesus é a Pedra angular 1 Co 3.10; Ef 2.20

Qualquer pessoa que não cumpra tais requisitos não é um apóstolo; é umimpostor. Ap 2.2; 2 Co 11.13-15; 2 Tm 3.13

Enquanto não entendermos que os sistemas ou "igrejas" criadas pelo homem (e que, por conseguinte, exaltam o homem) estão em franca desobediência à Palavra de Deus, deixaremos de entender e desfrutar de muitas outras coisas que o Senhor nos quer ensinar.

Não me refiro aqui à fé pessoal de cada um dentro desses sistemas ou"igrejas", sejam seus reverendos, pastores, missionários ou, como estes gostam de chamar os demais, "membros" (leigos). Muitos são cristãos piedosos que renasceram de Deus e para Deus, mas que podem estar enganados acreditando firmemente que estão ali agradando o Senhor. Somente Ele poderá julgar seus corações, eu não.

Mas quanto a mim, quando encontro coisas tão contraditórias ao ensino simples das Escrituras, passo a ser responsável por julgar, não as pessoas, mas suas práticas, ensinos, doutrinas etc., e me apartar de toda iniqüidade que possa identificar e me reunir fora do sistema, "com os que, com um coração puro, invocam o Senhor" (2 Tm 2.22)

Apóstolo



Na tradição cristã, os apóstolos, também chamados de discípulos de Jesus, foram os judeus enviados (como indicado pela palavra grega ἀπόστολος, apóstolos) porJesus para pregar o Evangelho, inicialmente apenas aos judeus e depois também aosgentios, em todo o mundo antigo. Eram em total doze pessoas.
Segundo o Evangelho de Lucas, "Ele chamou para si os seus discípulos, e deles escolheu doze, a quem ele chamou de apóstolos" (Lucas 6:13).

Intuito missionário
cristianismo, ao contrário do judaísmo de onde tem origem, tem por intenção missionar o maior número possível de pessoas. O judaísmo é um sistema de crenças caracterizado por um conjunto de regras de comportamento, algumas das quais são vistas como pouco convenientes para a sua aceitação pelos outros povos (nomeadamente a circuncisão e as regras de alimentação). Por outro lado, o monoteísmo é apelativo para os povos politeístas (ver sociologia da religião de David Hume).
Tanto a crença judaica, quanto a cristã, são monoteístas e apelativas para muitos dos romanos, politeístas. Mas, enquanto que os judeus mantiveram as suas tradições religiosas, os cristãos, inicialmente uma pequena seita do judaísmo, dispuseram-se a acabar com essas tradições para em contrapartida se tornarem mais apelativos aos gentios. Os apóstolos tiveram, neste contexto, um papel fundamental.
Os apóstolos - especialmente Paulo de Tarso, um homem que não conheceu Jesus pessoalmente, porém teve experiências extraordinárias, espirituais, quando no caminho de Damasco, o Senhor Jesus lhes apareceu, e a partir daquele momento, ocorreu a transformação e conversão, do Saulo, para Paulo, o maior evangelista que o cristianismo teve e tem, em registros das escrituras, mas que é considerado pelos próprios apóstolos como um apóstolo também, e foi escolhido por Jesus para pregar aos gentios - foram aqueles que receberam a incumbência, do próprio Jesus, de esclarecer aos povos, incluindo os gentios, que não basta seguir à risca um conjunto de regras de comportamento nem realizar rituais (como os judeus acreditavam) para agradar a Deus e receber o seu favor, a sua salvação e que Deus deseja a salvação de todos e não apenas dos judeus; isto permitiu a entrada dos povos gentios neste sistema de crenças então nascente.
Os tempos apostólicos - no sentido estrito do termo - constituem o período de vida dos doze, mais São Paulo, da ressurreição até à morte de cada um deles.
O sucesso da estratégia incutida ao cristianismo pelos apóstolos é evidente. Enquanto que o judaísmo permaneceu uma religião monoteísta transmitida de geração em geração, o cristianismo foi adoptado por outros povos (o Império Romano teve um importante papel na sua divulgação) e cresceu para influenciar a história e cultura da Europa desde então.

Sobre a vida dos apóstolos

Novo Testamento só registra a morte de um dos apóstolos: Tiago, filho de Zebedeu, que foi executado por Herodes Agripa I pelo ano44 d.C. (Atos 12:2).
Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo, fazia parte dos 12, mas perdeu sua designação de apóstolo após trair Jesus, e foi se enforcar, mas não teve êxito, morrendo de outra forma (Atos 1:18).
NomeDescriçãoMorte
PedroFoi mártir na cidade de Roma em cerca de 64 d.C., durante a perseguição dos cristãos pelo imperador Nero.Crucificado de cabeça para baixo noCirco de Nero a seu próprio pedido, por não se sentir de valor suficiente para morrer da mesma forma que o seu Senhor havia morrido.
AndréFoi para a terra dos canibais, que hoje são os países que compuseram a ex-União Soviética, região identificada por Cítia, por Eusébio de Cesaréia. Os cristãos daquela região atestam que ele foi o primeiro a levar o Evangelho para lá. Ele também pregou na Ásia Menor, hoje conhecida como Turquia, e naGrécia, onde foi martirizado. É considerado o fundador da igreja em Bizâncio (Constatinopla e, atualmente, Istambul), motivo pelo qual é considerado o primeiro Patriarca de Constantinopla.Crucificado em uma cruz em forma de x.
ToméFoi provavelmente o mais ativo do apóstolos ao leste da Síria. Uma tradição informa que ele pregou até a Índia. Os cristãos indianos chamados Martoma, uma denominação muito antiga dentro do Cristianismo, o reverenciam como o fundador dela.Foi morto em Mylapore, na Índia, por lanças de quatro soldados, conhecido como o que não cria ou incrédulo.
FilipePossivelmente teve um ministério muito poderoso em Cartago, no Norte da África, e então na Ásia Menor, onde a mulher de um procônsul romano se converteu.Provavelmente morreu crucificado, mas alguns afirmam que foi preso e torturado pelo procônsul.
MateusO coletor de impostos e escritor de um dos Evangelhos, ministrou na Pérsia(atual Irã) e na Etiópia.Um dos mais antigos comentários diz que ele não foi martirizado, enquanto outros dizem que ele foi apunhalado até morrer na Etiópia.
BartolomeuFez viagens missionárias para muitas partes. Porém tal informação é passada através de uma tradição. Ele teria ido à Índia com Tomé, voltou à Armênia, e foi também à Etiópia e ao sul da Arábia.Teria sido esfolado vivo e, depois, decapitado pelo governador deAlbanópolis, atual Derbent.
Tiago, filho de ZebedeuTambém chamado de Tiago Maior, foi um dos primeiros discípulos de Jesus.Foi decapitado em 44 d.c.
Tiago, filho de AlfeuTambém conhecido como Tiago Menor, é um dos pelo menos três outrosTiagos referido no Novo Testamento. Existe alguma confusão sobre quem seria quem, mas este Tiago é considerado como sendo o que ministrou na Síria.Teria sido apedrejado.
Simão, o ZeloteTeria ministrado na Pérsia e martirizado naquela região.Morto depois de negar sacrificar aodeus Sol, juntamente com Judas Tadeu.
Judas Tadeu ouLebeuUm dos três Judas relacionados com o ministério terreno de Jesus Cristo, foi chamado para ser um dos doze, não podendo ser confundido com o traidor Judas Iscariotes (cfr. João 14:22). Diz a tradição que se dedicou à pregação do Evangelho na Judéia, Samaria, Mesopotâmia (hoje região do Iraque) e na Pérsia.Martirizado a machadadas pelas autoridades persas e pela multidão instigada por sacerdoteszoroastristas juntamente com Simão, o Zelote.
João ZebedeuDe todos os doze apóstolos, João tornou-se o mais destacado teólogo. Tinha um enorme afeto pelo Senhor e vice-versa. Segundo algumas interpretações, era o apóstolo que Jesus mais amava. Era o líder da Igreja na região da cidade deÉfeso, e diz-se que tinha Maria, a mãe de Jesus, em sua casa, de quem cuidava. Durante a perseguição do imperador romano Domiciano, pelo meio dadécada de 90 d.C., ele foi exilado na Ilha de Pátmos. Foi ali, segundo se crê, que ele teria escrito o último livro do Novo Testamento: o Livro do Apocalipse(veja João de Patmos). Uma tradição latina muito antiga informa que ele escapou sem se queimar, depois de ter sido jogado num caldeirão de óleo fervente. Isso teria acontecido na cidade de Roma.Morreu de morte natural, em Éfeso, no ano 103 d.C., quando tinha 94 anos. Segundo bispo Polícrates de Éfeso em 190 (atestada por Eusébio de Cesareia na sua História Eclesiástica, 5, 24), o Apóstolo "dormiu" (faleceu) em Éfeso. Contudo, conta-se que sua tumba estava vazia quando foi aberta por Constantino para edificar-lhe uma igreja.
Judas IscariotesTeria sido convocado pelo próprio Jesus, mas traiu o Mestre enquanto este orava no Getsêmani.Morreu suicidando por enforcamento, depois de ter se arrependido por entregar Jesus.
Paulo(Saulo de Tarso)Perseguidor dos discípulos do Senhor, em uma das suas práticas converteu-se no caminho para Damasco, quando viu Jesus e ficou cego por três dias(At 9:1-9). Paulo o viu apenas uma vez. Tendo recebido a missão apostólica a partir do próprio Jesus. Dedicou a sua missão especialmente aos não-judeus.Feito prisioneiro em Roma, foi acusado de crimes de falta de lealdade a Roma, e uma vez que era cidadão romano, foi executado por decapitação na Via Ostiense e não por crucificação.
MatiasEscolhido para ficar no lugar de Judas Iscariotes. Uma tradição diz que São Matias foi para a Síria com André.Morto na fogueira.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Origem do Batismo de João


Os estudiosos estão em desacordo quanto à origem do batismo de João. Alguns (Robinson, Brown, Scobie) pensam que João adaptou as purificações dos membros da comunidade de Qumran para seu batismo de arrependimento. Scobie coloca bastante ênfase em uma passagem do Manual de Disciplina (1 QS 2:25-3:12), em que encontra indícios de uma ablução de iniciação (batismo).25 Entretanto, não fica totalmente claro que a comunidade de Qumran tivesse um batismo de iniciação diferente das demais. O contexto dessa passagem sugere as abluções cerimoniais diárias realizadas por aqueles que já pertenciam à seita. (Veja H. H. Rowley, “The Baptism of John and the Qumran Sect,” NT Essays (1959), 220 e ss. A. Dupont-Sommer, The Essene Writings from Qumran (1961), 76, cuja seção é intitulada “The annual Census” (O Censo Anual)) Permanece ainda a possibilidade de João ter adaptado as abluções diárias dos membros da comunidade de Qumran, transformando-as em um rito de significado escatológico que fosse realizado uma única vez, sem repetições.Há outros que encontram o contexto histórico do batismo de João no batismo judaico dos prosélitos. Quando um gentio abraçava o judaísmo, deveria submeter-se a um banho ritual (batismo), à circuncisão e oferecer sacrifícios. O problema é determinar se o batismo de prosélitos já existia naquela época do Novo Testamento. Esta afirmação é algumas vezes negada, (T. M. Taylor, “The Beginnings of Jewish Proselyte Baptism,” NTS 2 (1956),193-97.) mas em outras ocasiões é confirmada por especialistas na literatura judaica. (See H. H. Rowley, “Jewish Proselyte Baptism,” NUCA 15 (1940), 313-34. Veja também T. F. Torrance, “Proselyte Baptism,” NTS 1 (1954), 150-54.) Cima vez que a imersão de prosélitos é discutida no Mishnah pelas escolas de Hillel e Shammai, (Pes. 8:8. Veja Danby, The Mishnah (1933), 148) verificamos que a prática já era conhecida em um período bem próximo ao do início do Novo Testamento.

Alguns estudiosos argumentam que teria sido algo muito paradoxal se João tratasse os judeus como se fossem pagãos,(G. Bornkamm, Jesus of Nazareth, 47.) mas pode ser que a questão do batismo de João resida precisamente nesse ponto. A aproximação do Reino dos céus significava que os judeus não podiam encontrar segurança no fato de serem descendentes de Abraão; que os judeus, a não ser pelo arrependimento, não poderiam ter mais certeza do que os gentios de que entrariam no Reino vindouro; que ambos, judeus e gentios, deveriam se arrepender e manifestar seu arrependimento pela sujeição ao batismo.

Há alguns pontos de semelhança entre o batismo de João e o de prosélitos. Em ambos os ritos, no batismo de João e no de prosélitos, o candidato era imerso ou imergia-se completamente na água. Os dois batismos envolviam um elemento ético, pelo fato de que a pessoa batizada fazia um rompimento total com sua antiga conduta para dedicar-se a uma nova vida. Em ambos os casos, o rito era de iniciação, pois introduzia a pessoa batizada em uma nova comunhão: uma comunhão com o povo judaico e a outra no círculo daqueles que estavam preparados para participar da salvação do Reino messiânico vindouro. Ambos os ritos, em contraste com as purificações judaicas comuns, eram realizados de uma vez por todas.

Entretanto, existem várias diferenças entre os dois tipos de batismo. O batismo de João tinha um caráter escatológico, ou seja, sua raison d'être foi a de preparar os indivíduos para o Reino vindouro. É esse fato que torna o batismo de João impossível de ser repetido. A diferença mais notável é que, ao passo que o batismo de prosélitos era administrado somente aos gentios, o batismo de João era aplicado aos judeus.

É possível que o contexto histórico que explique a origem do batismo de João não seja nem o batismo da comunidade Qumran, nem o de prosélitos, mas simplesmente as abluções cerimoniais previstas no Antigo Testamento. Os sacerdotes eram obrigados a se lavarem em sua preparação para ministrarem no santuário, assim como exigia-se que o povo participasse de certas purificações em várias ocasiões (Lv. 11-15; Nm. 19). Muitas declarações proféticas, bem conhecidas, exortam a uma purificação moral por meio da purificação que era simbolizada pela água (Is.1:16 e ss.; Jr. 4:14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ez. 36:25; Zc. 13:1). Além do mais, Isaias 44:3 interliga a dádiva do Espirito com a purificação futura. Qualquer que seja o fundamento histórico, João dá um novo significado ao rito da imersão ao conclamar o povo ao arrependimento devido à aproximação do Reino dos céus.
FONTE: Teologia do Novo Testamento - Ladd, George Eldon.

sábado, 4 de agosto de 2012

Baal – O deus Cananeu

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Baal foi foi um mito importantíssimo por muito tempo nas terras de Canãa. Desde a década de quarenta, a arqueologia tem possibilitado conhecer cada vez mais sobre os povos antigos do oriente, principalmente o povo cananeu e sua religião. Descobertas arqueológicas no local da antiga cidade de “Ugarit” mostraram centenas de placas de barro pertencentes à biblioteca do templo de “Ras Sharma”. Esses textos religiosos provam que a oposição contra a qual a tradição de Moisés teve que lutar não era uma simples aglomeração de pequenos cultos de fertilidade presididos por insignificantes deuses e deusas, mas, pelo contrário, um dos mais elaborados sistemas religiosos do mundo antigo. A religião dos cananeus já era bem difundida e já estava estabelecida na Palestina antes da conquista israelita. Era uma religião com ritos bem elaborados e se identificava com os interesses de uma população agrícola. A religião dos cananeus era identificada com a natureza e tinha por objetivo ensinar os homens a cooperarem e a controlarem o ciclo das estações.
A história de Baal começa com a batalha entre Baal e “Yam-Nahar”, o deus dos mares e rios. Ela está contada em pequenas tábuas que datam do século XIV aC. Baal e Yam viviam ambos com “El”, o Sumo Deus cananeu. No conselho de El, Yam exige que Baal lhe seja entregue. Mas, durante a batalha, usando duas armas mágicas, Baal derrota Yam e está para matá-lo quando “Asherah” (esposa de El e mãe dos deuses) diz que é desonroso matar um prisioneiro. Baal envergonha-se e poupa Yam. Nesta batalha, Yam-Nahar representa o aspecto hostil dos mares e rios que ameaçam constantemente inundar a terra, enquanto Baal, o deus da tempestade, torna a terra fértil.


 Em outra versão, Baal mata o dragão de sete cabeças “Lotan”, chamado em hebraico de “Leviatã”. Em quase todas as culturas, o dragão simboliza o latente, o oculto e o informe diferenciado; portanto, com um ato verdadeiramente primitivo, Baal interrompeu o retorno à informidade primal. Por essa razão, é recompensado com um belo palácio, construído pelos deuses em sua honra. No início da própria história da religião, portanto, a criatividade é vista como divina. E na verdade nós ainda usamos essa linguagem religiosa para falar da “inspiração criadora”, que refaz a realidade e traz novo sentido ao mundo. Assim acontece nas artes plásticas, na música, na literatura, no trabalho, nas relações humanas…
Mas Baal sofre uma inversão: morre e tem que descer ao mundo de “Mot”, o deus da morte e da esterilidade. Quando sabe do destino de seu filho, o Sumo Deus El desce de seu trono, veste uma tanga e retalha as faces, mas não pode redimir o filho. É “Anat”, irmã e amante de Baal, que deixa o reino divino e vai em busca dele, na verdade sua alma gêmea, desejando-o, segundo o texto das tábuas, “como uma vaca deseja o seu bezerro e uma ovelha o seu cordeiro”. Encontra o seu corpo, e então prepara e oferece aos deuses e homens um banquete fúnebre em sua honra: pega Mot, abre-o com sua espada, divide-o, queima-o e tritura-lhe “como milho”, antes de semeá-lo ao chão. É assim que Baal se torna o deus do vento e do clima. De acordo com o baalismo, era ele quem enviava orvalho, chuva e neve e, conseqüentemente, quem dava fertilidade para a terra. Os cananeus acreditavam que era por causa de Baal que, ano após ano, a vegetação retornava após a estiagem, as fêmeas dos animais tinham inúmeras crias e as mulheres davam filhos e filhas para seus maridos.
Histórias semelhantes são contadas sobre as outras grandes deusas – Inana, Ishtar e Ísis – que buscam um deus morto e dão vida nova ao solo. Os cananeus estabelecem, entretanto, que a vitória de Anat deve ser perpetuada, ano após ano, em comemoração ritual. Mais tarde – não podemos saber ao certo como, pois as fontes são incompletas – Baal é trazido de volta à vida e devolvido a Anat. É uma apoteose de realização, inteireza e harmonia, simbolizada pela união dos sexos. E era celebrada numa grande festa, na antiga Canaã, com rituais bacanálicos, envolvendo sexo ritual, incesto e serpentes… não admira que, no texto bíblico do Antigo Testamento, o povo de Israel seja admoestado a manter distância das práticas do povo de Canaã…
Assim, ao imitarem os seus deuses, aqueles homens e mulheres acreditavam partilhar a luta deles contra a esterilidade e asseguravam a criatividade e a fertilidade do mundo. Mas a morte de um deus, a sua busca pela deusa e o posterior retorno triunfante à esfera divina eram temas religiosos presentes em muitas culturas antigas. Daí a completa originalidade da muito diferente religião do Deus Único adorado pelos hebreus. Uma novidade radical e inteiramente estranha, que exigia ascetismo, trazia regras de conduta moral e, mais do que isso, solicitava uma entrega amorosa. Uma proposta para um novo modo de vida, enfim; surgida num ambiente completamente hostil e que não conseguia compreendê-la. E que mesmo contra o tempo e todas as probabilidades naturais, superou tudo e todos e subsiste até os nossos dias.
Para entendermos melhor, vamos ver sobre Baal na bíblia e na demologia.
Arqueologia e a Bíblia
Baal é descrito como um deus semita e era adorado pelos Cananeus e Fenícios. Baal significa “O Senhor”, que deliberou sobre o alto deuses montados sobre o santo monte do céu. (Como uma redação: este não é um ponto absolutamente claro. El ou Elohim era realmente o pai Deus dos deuses em Cannon. El foi convidado para ajudar Baal quando ele foi morto por Mot, deus do submundo. El não pôde impedir a morte de Baal, mas Baal foi renascido) Baal era principalmente um deus do sol, chuva, trovões, fertilidade e da agricultura e, em algum momento, ele ultrapassa o deus da água, Yam. Baal é o filho do deus Dagan ou Dagon, outro deus Cananeu semita. Foi este “deus do grão”, que permitiu a ser Baal renascido. Originalmente, o deus semita Hadad – também chamado de Baal – foi venerado por Arameus que trouxeram o seu culto a outras partes do Mediterrâneo.
Na Demologia Cristã

Baal Rafar é um demónio cristão. De acordo com o demonologia cristã, Baal (“Bael geralmente soletrado”
 neste contexto; há uma Selo de Baalpossibilidade que as duas figuras não estão conectadas) estiveram classificadas como o primeiro e rei principal no inferno, governando sobre o leste. De acordo com alguns autores o Baal é um duque, com as sessenta e seis legiões de demónios sob seu comando. O termo “Baal” é usado em várias maneiras no antigo testamento, com o significado usual do mestre, ou do proprietário. Veio significar às vezes o deus pagão local de um pessoa particular, e ao mesmo tempo todos os ídolos da terra. Igualmente encontra-se em diversos lugares no Baalim plural, ou em Baals (2:11 dos juizes, 10:10). Havia muitas variações, tais como o deus de sol, o deus da fertilidade, e Beelzebuth, ou o “senhor das moscas”.


Durante o período inglês do Puritano, o Baal foi comparado a Satanás ou considerado seu assistente principal. De acordo com Francis Barrett, tem o poder fazer aqueles que o invocam de forma invisível, e para alguns demonologistas, seu poder é mais forte em outubro e segundo algumas fontes, pode fazer povos sábios, de terem problemas de voz (com um tom vocal caracterizada pela fraqueza da intensidade e excessivo soprosidade), e carregar cinzas em seu bolso. Enquanto seu antecessor semítico foi descrito como um homem ou um touro, o demónio que o Baal assumia, na tradição dos grimórios, a forma de um homem, de um gato, de um sapo, ou de combinações destes. Uma ilustração do livro Dictionnaire infernal (Dicionário do Inferno), de Collin de Plancyem 1818 colocou de forma curiosa, as cabeças das três criaturas em um jogo dos pés da aranha.
A ideia do Baal como um demónio, foi criada quando a cristandade transformou deuses antigos em demónios e o demonologia dividiu assim, a população demoníaca do inferno em diversas hierarquias. O Baal, deus Semita, não escapou, transformando-se em uma entidade separada do Beelzebub. Mas na verdade desde muito antes do cristianismo já existe referência sobre Baal, nos escritos judáicos antigos, por exemplo no livro dos Reis. O profeta Elias propoe um combate contra os profetas de Baal e segundo o Livro os derrota a todos com fogo enviado dos Ceus por Deus.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A origem de Satanás

LUCIFER, vem do latim, lux, lucis = luz; ferre = carregar


Na Antigüidade romana, a palavra "Lúcifer" era utilizada para designar o planeta Vênus quando este se posicionava de manhã, a oeste do Sol, antecedendo o seu nascimento. Significava, portanto  "portador da luz" (do latim lux = luz e ferre = carregar) e também era conhecida como "a Estrela da Manhã"


Lúcifer, uma expressão do latim!


Essa expressão Lúcifer não existe em nossa bíblia da versão em português, é uma palavra exclusiva da bíblia na versão da vulgata, confira os textos em Latin,

e em português na nossa bíblia:

Texto de Isaías 14:12  na Bíblia  em latim
14:12 quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes.

Texto de Isaías 14:12  na Bíblia em português
12  Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!

Muitos também, assemelha, a estrela da alva, com o planeta venus, aquela estrela que aparece bem cedo, ou no entardecer, é a estrela mais brilhante de todas. 

 David Bezerra de Melo






A Versão da Vulgata latina


A tradução de Jerônimo, feita diretamente do texto hebraico, datando de 400 d.C, traduz HYLL de Isaías 14:12, por “lúcifer.” O dicionário latim de Cassell identifica esta palavra como um adjetivo, significando “agüentando luz ou trazendo luz”. Usado como substantivo, significaria: ‘ Lúcifer, a estrela d'alva, o planeta Vênus; “Na mitologia, registra-se” o filho de Aurora e pai de Ceyx. O pequeno dicionário clássico de William Smith registra “Lúcifer” (latim) e “Phosphoros” (grego) ambos os epítetos dados para o planeta Vênus na antigüidade, junto com outras designações como “Hesperus”, “Vesperugo,” “Vesper,” “Noctifer,” e “Nocturnus” , introduzindo a escuridão da noite, em lugar da luz do dia. “Lúcifer” era usado também na mitologia como uma designação das deusas da luz, inclusive Ártemis, Aurora, Hecate, e outras. 




Abra qualquer número de obras de referência bíblica usadas comumente e olhe para o verbete "Satanás". Você encontrará, provavelmente, uma história familiar. Eu cito, como típico, o Complete Bible Handbook (Manual Completo da Bíblia), de L. O. Richards:

"O Velho Testamento indica que Satanás foi criado por Deus como um anjo governante chamado Lúcifer, com grandes poderes. Mas o orgulho levou Lúcifer a se rebelar contra Deus (conforme Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-15). Torcido agora pelo pecado, Lúcifer é transformado em Satanás, que quer dizer `inimigo´ ou `adversário´ ...Satanás é um poderoso anjo decaído, intensamente hostil a Deus e antagonista do povo de Deus." (páginas 245, 801).

Pergunte à maioria das pessoas que crêem na Bíblia de onde veio Satanás e nove entre dez lhe darão uma versão da história citada acima. A idéia de que Satanás é um anjo decaído a quem Deus expulsou do céu e que caiu na terra é tão espalhada que muitas pessoas acreditam que a Bíblia a ensina.

Pode surpreendê-lo descobrir que a Bíblia não ensina tal coisa. É certo que há passagens na Bíblia que falam de seres caindo do céu, mas não são sobre Satanás e usam linguagem figurativa. Somente por uma leitura descuidada destes textos pode alguém chegar à história popular relativa à origem de Satanás. Examinemos as passagens bíblicas relevantes, no contexto.
Quem é Satanás?
Onome "Satanás" é uma transliteração do hebraico satan, indicando um acusador no sentido legal, um queixoso que tem uma acusação a apresentar. Em Zacarias 3:1 lemos "Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor." Numa palavra, Satanás se opõe a nós, trabalha contra nós, ou "nos persegue", na tentativa de nos derrotar espiritual e moralmente. Jesus chamou-o homicida e mentiroso, em João 8:44. Em Apocalipse 12:9, João retrata Satanás como um grande dragão, uma representação que ressalta sua terrível natureza. Esse mesmo versículo identifica-o como a serpente (uma referência a Gênesis 3) e como o diabo, que é outro nome bíblico comum para ele. Talvez 1 Pedro 5:8 nos diga o que mais precisamos saber a respeito dele: "O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar".
A ênfase bíblica está no que Satanás é em relação conosco (um inimigo). Algumas pessoas, contudo, pensam que certos textos bíblicos vão mais além e nos dizem como Satanás veio a se tornar assim. Examinemos estes textos cuidadosamente.
Isaías 14:12-14
Esta passagem diz: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo."Você notará imediatamente que esta passagem não menciona Satanás por nenhum de seus nomes bíblicos comuns. Pode-se extrair deste texto uma teoria da origem de Satanás somente assumindo que esta passagem descreve-o, e ignorando o contexto desta passagem na mensagem de Isaías.

Isaías não estava discutindo Satanás em Isaías 14, nem a origem de Satanás de modo nenhum faz parte desta mensagem do profeta. Se dissermos que este texto é sobre a origem de Satanás, isso simplesmente torna sem sentido o contexto mais amplo. Isaías profetizou durante os reinados dos reis hebreus Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias (Isaías 1:1). Seu ministério abrangeu (aproximadamente) os anos 750 - 686 a.C., uns 65 anos, no máximo. Este foi um tempo quando o povo de Deus tinha se tornado corrompido pela idolatria. Deus enviou Isaías para pregar o arrependimento ao seu povo e para adverti-lo de que um fracasso em voltar-se da idolatria significaria desastre em escala nacional. Isaías pregou a ambos os reinos de Israel e Judá, cumprindo sua missão dizendo aos povos desses reinos que eles sofreriam terrivelmente se recusassem arrepender-se. Isaías 10:5-6 resume a mensagem ao reino do norte. Há linguagem semelhante (13:3-6) reservada para o reino do sul, o reino contra o qual Deus enviaria os babilônios.

A mensagem de Isaías não era completamente de desânimo e condenação. Os assírios e os babilônios, ele pregou, eram simplesmente instrumentos que Deus usaria para punir o seu povo. Uma vez que Deus tivesse usado essas nações para seus propósitos, Ele se voltaria e aplicaria seu julgamento sobre eles, pela impiedade deles próprios. É uma mensagem da soberania de Deus em ação que causa reverência e temor nos ouvintes. A Babilônia cairia, e depois disso Deus renovaria e reuniria seu povo e lhes daria uma gloriosa e nova existência. Isaías 14 é sobre a queda do império babilônico. Isaías diz aos habitantes do reino sulista de Judá que, depois que eles tivessem sofrido o castigo, viria o dia quando eles poderiam ver a queda de seu opressor e escarnecer de Babilônia do modo como esta tinha escarnecido de Judá. Veja os versículos 4 e seguintes. Isto é sobre Babilônia.

Ora, porque Isaías começaria o capítulo falando sobre a queda de Babilônia, interromperia com uma descrição da origem de Satanás, e então recomeçaria a falar sobre a queda de Babilônia? Simplesmente não faz qualquer sentido aqui no contexto ver 14:12-14 como sendo sobre a origem de Satanás. O fato é que Isaías estava descrevendo para povo de Judá o que eles estariam dizendo quando zombassem do rei de Babilônia que tinha sido rebaixado e decaído do poder (versículo 4). As mesas virariam, e Isaías está descrevendo a ironia de tudo isso. Até mesmo a leitura corrida da passagem revela que a linguagem aqui é poética e figurativa, e temos que tratá-la de acordo. "Céu" no versículo 12 é linguagem figurativa para o que é alto e exaltado, e Isaías está aqui descrevendo a alta consideração em que o rei de Babilônia era tido. O profeta descreve sua queda do poder figurativamente, como uma queda do céu. Então ele chama o rei de Babilônia, também usando linguagem figurada, a "estrela da manhã". Na sua glória, durante algm tempo, o soberano de Babilônia era como uma estrela brilhante no céu. Contudo, seu reinado e seu poder cairiam, e, mantendo as imagens, Isaías pinta sua extinção como uma estrela cadente.

Parte da incompreensão popular desta passagem resulta do aparecimento da palavra "Lúcifer" em algumas versões do versículo 12. A palavra hebraica em questão aqui é helel, que significa "estrela da manhã" e não tem nenhuma ligação com Satanás. "Lúcifer" é uma velha palavra latina que originalmente significava "portador da luz" e era o nome do planeta Vênus sempre que aparecia no céu matinal. Na época que esta palavra foi usada nas traduções deste versículo, "Lúcifer" não significava Satanás. Infelizmente, para muitas pessoas, hoje em dia, Lúcifer é o nome de Satanás (porque Isaías 14:12-14 é aceito como sendo sobre Satanás!). Não é porque os tradutores erraram, mas porque pessoas de tempos posteriores, ou esqueceram o que Lúcifer significava ou concluíram erradamente que era o nome de Satanás, ou ambos.

Isaías 14:13 recita a jactância arrogante do rei babilônico. Certa vez ele pensou que era o maior do mundo, que tinha poder e autoridade igual à do próprio Deus. Uma das características do retrato profético de Babilônia é seu grande orgulho. Contudo, Deus rebaixaria seu rei ao mais baixo nível imaginável para a mente hebraica: o Sheol, o reino dos mortos (versículo 15). Os versículos 9-11 descrevem como os habitantes do Sheol ficariam surpresos porque alguém que pensava ser tão "alto" estava agora entre eles, num lugar tão "baixo". O ponto é que o rei babilônico foi do extremo da exaltação mundana para a extrema humilhação, e isto era um feito de Deus, o julgamento de Deus. A coisa toda é um quadro, uma imagem, e não uma narrativa histórica literal. A ênfase está no contraste entre as condições do soberano babilônico "antes" e "depois". As pessoas, então, olhariam para o fracasso do rei babilônico e perguntariam: "É este o homem que fazia a terra tremer, que sacudia reinos, que fazia do mundo um deserto, derrubava suas cidades, que não permitia aos seus prisioneiros voltar para casa?" (versículos 16-17).

Você vê, então, que quando examinamos Isaías 14:12-14 em seu contexto, ele não nos diz nada sobre a origem de Satanás. É uma descrição figurativa da queda do rei de Babilônia.
Ezequiel 28:12-16
Outra suposta passagem sobre a origem de Satanás é Ezequiel 28:12-16, onde se lê: "... Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras."
A referência ao Éden é, para muitos, um indicador seguro de que esta passagem tem que ser sobre a origem de Satanás. Não importa que Satanás já fosse o inimigo do homem no Éden! Mas, novamente, é somente aceitando que esta passagem é sobre Satanás (a própria coisa que precisa ser provada) que podemos lê-la desse modo. O contexto aqui argumenta em outra direção.

As palavras de Ezequiel aqui dizem respeito ao rei de Tiro. Os versículos 1 e 11 tornam isto claro. O capítulo 27 é sobre a queda da nação, e o capítulo 28 é especialmente sobre a queda do rei dessa nação. Prestar um pouco de atenção ao contexto esclarece muito! Exatamente como na passagem de Isaías, tomar as palavras do profeta como descritivas de Satanás e sua "queda" é fazer deste capítulo um completo contra-senso.

Aqui a mensagem está em duas partes, mas cada uma delas apresenta a mesma mensagem. Os versículos 1-10 descrevem o rei de Tiro do ponto de vista de Deus. Como o rei de Babilônia, o rei de Tiro era orgulhoso, arrogante e jactancioso. Ele se achava divino, e assim declarava ter uma glória que não lhe pertencia (versículos 2,6,9). O profeta descreve sarcasticamente a grandeza do monarca nos versículos 3-5. Pela sua arrogância, o orgulhoso rei colherá o julgamento de Deus. O julgamento sobre ele é que Deus o abaterá (versículos 7-10). Os versículos 11-19 repetem esta mensagem. O retrato sarcástico que o profeta faz do rei reaparece nos versículos 12-16. O aumento no nível de imagens e figuras na linguagem aumenta o sarcasmo. O rei pensava de si mesmo em termos absolutamente altos, mas para Deus isto era pura loucura. A referência ao Éden no versículo 13 não é literal, mas significa que o rei imaginava-se privilegiado acima de todos os outros. Ele pensava que era especial, como querubim ungido de Deus ou como algém que vivesse na própria montanha de Deus (versículo 14). Ele se retratava nos termos mais gloriosos. Pela sua arrogância, Deus o julgaria severamente (versículos 16-19). Novamente, portanto, quando lemos esta passagem no seu contexto, vemos que não tem nada a ver com a origem de Satanás.Lucas 10:18
Em Lucas 10:18, Jesus diz: "Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago." Aqueles que pensam que Satanás é um anjo rebelde decaído acreditam que este versículo estabelece o assunto convincentemente. Contudo, de novo, precisamos olhar para esta afirmação no seu contexto.

Em Lucas 10:1 e seguintes, Jesus tinha enviado setenta discípulos numa missão de pregação. Realmente, era mais do que apenas uma missão de pregação, pois Jesus também os enviou para curar e expulsar demônios (versículos 9,17). É importante entender exatamente o que estes setenta discípulos cumpriram e o que o próprio Jesus cumpriu em seu ministério. Enquanto Jesus estava nesta terra, ele guerreou contra o reino de Satanás. Antes que Jesus pudesse estabelecer seu reino (o reino de Deus), ele tinha que invadir o território do inimigo, vencê-lo e tornar o inimigo (Satanás) impotente e fraco. Isto ele fez pregando o evangelho e demonstrando visivelmente seu poder. As curas miraculosas, e especialmente a expulsão de demônios, não eram atos casuais de bondade; elas eram em vez disso assaltos diretos sobre o reino de Satanás. Proclamando a "libertação dos cativos" no evangelho (veja Lucas 4:18), Jesus estava proclamando a derrota de Satanás e do pecado. Jesus veio libertar o homem do domínio de Satanás, um domínio esumido em pecado e morte.

É no contexto desta guerra espiritual que temos que entender os milagres associados com o ministério de Jesus e, mais tarde, dos apóstolos. Os milagres associados eram físicos, demonstrações visíveis, exemplos, ilustrações do que Jesus pode fazer pelos homens espiritualmente. Em nenhum lugar isto fica mais claro do que na expulsão de demônios. A possessão por demônios era uma manifestação óbvia do domínio de Satanás sobre pessoas. Que maior domínio sobre uma pessoa Satanás poderia ter do que invadir seu corpo, através de um demônio, e comandar seus atos? Quando Jesus expulsava demônios ele estava libertando pessoas da garra de Satanás, Ele estava destruindo o domínio do Maligno sobre elas. Era uma demonstração especialmente clara, ao nível físico, do poder do evangelho, e era uma ilustração de como Jesus podia libertar os homens do reino de Satanás e pô-los sob o reino de Deus.

O mesmo é verdade também quanto às curas milagrosas de Cristo. Doença e morte eram manifestações do poder de Satanás sobre o homem. Curando os doentes, Jesus estava livrando pessoas do poder de morte exercido por Satanás, assim vencendo-o. Observe o que Jesus disse sobre a mulher que tinha uma doença causada por um espírito em Lucas 13:16: "... esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos" não deveria ela ter sido libertada, no sábado? Jesus estava demonstrando, em suas curas milagrosas, seu poder sobre Satanás, seu poder para livrar os homens do domínio de Satanás. A cura era uma ilustração do que Jesus pode fazer por nós espiritualmente, através do seu evangelho. Assim, não é coincidência que Mateus ligue as atividades de pregar o evangelho e a cura dos doentes em Mateus 4:23: "Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo." Estas duas atividades iam juntas muito naturalmente.

Quando os setenta discípulos retornaram, relataram seu grande sucesso a Jesus. regozijando porque "... os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!" (Lucas 10:17). Jesus os havia enviado como um exército para invadir o território de Satanás e guerrear. Sua campanha tinha tido um tremendo sucesso. Satanás sofreu uma derrota com cada demônio que eles expulsaram. Jesus respondeu com um reconhecimento: "Ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano". (versículos 18-19). Observe a menção de Jesus a "... sobre todo o poder do inimigo". Satanás estava sendo derrotado no ministério de Jesus. Os setenta discípulos tinham compartilhado esse ministério, e isso culminaria na maior vitória sobre Satanás: a morte e a ressurreição de Cristo que decisivamente derrotaram o poder de Satanás de pecado e morte, respectivamente. Assim, quando Jesus diz: "... eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago", ele estava descrevendo quão grandemente seu ministério estava derrotando o poder de Satanás sobre os homens. O poder de Satanás não mais seria incontestável e absoluto. Em sua obra, Cristo estava destruíndo o aparentemente invencível poder do pecado e da morte. Em linguagem que relembra Isaías 14:12-14, Jesus compara o poder anterior de Satanás a uma estrela, e essa estrela agora caiu. Apocalipse 9:12 e Mateus 24:29 também usam a imagem de uma estrela cadente para descrever a derrota do poder.

Portanto, novamente, o texto que alegamente prova a origem do diabo não é sobre a origem de Satanás de modo nenhum. É somente introduzindo tal idéia no texto que ele pode prestar algum serviço a tal doutrina.
Apocalipse 12:7-9
Talvez a passagem mais popular quando se fala sobre a origem de Satanás seja esta, Apocalipse 12:7-9. Ela diz: "Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos".

Quem quer que alguma vez tenha olhado para o Apocalipse de João sabe que nele abundam estranhos símbolos. É somente pela violência de tratar a linguagem simbólica literalmente, e por ignorar o contexto, que podemos tirar uma história da origem de Satanás deste texto.

Apocalipse 12 é uma descrição simbólica das circunstâncias espirituais que causaram e conduziram à perseguição que os leitores de João enfrentaram. João escreveu o Apocalipse para dar aos seus primeiros leitores uma visão de seu sofrimento, para vê-la num contexto mais amplo. Eles foram apanhados numa tremenda luta entre Deus e Satanás. O diabo estava tentando destruir a igreja, usando Roma como seu agente. João, assim, estava dando aos seus leitores uma perspectiva de sua situação que poderia ajudá-los a suportá-la. Como uma descrição simbólica e figurativa não devemos, certamente, lê-la literalmente, nem devemos tratá-la como alguma espécie de narrativa cronológica e histórica do que tinha acontecido.

Apocalipse 12 é admitida como uma passagem difícil, mas os estudantes que vêem o livro do ponto de vista de seu contexto histórico geralmente concordam que ele é sobre a vitória do povo de Deus e a derrota de seu inimigo, Satanás. A primeira parte do capítulo (versículos 1-6) apresenta diante de nós uma história de nascimento de uma criança do sexo masculino que se torna o dominador das nações. Esta imagem representa Cristo (a alusão ao Salmo messiânico, Salmo 2, em Apocalipse 12:5 confirma isto). Contudo, um grande dragão (Satanás) imediatamente desafia seu aparecimento. O aparecimento de Jesus desencadeia uma grande guerra espiritual (versículo 7). O domínio de Satanás sobre a situação humana tinha, até agora, ficado indisputado. Quando Cristo aparece, o poder de Satanás sobre o homem é efetivamente destruído, e Satanás sofre uma derrota esmagadora (versículo 9). A história básica que João apresenta aqui nos versículos 7 e seguintes é que Satanás perdeu sua tentativa de ganhar domínio sobre a humanidade. Ee e suas forças não são adversários para Deus e suas forças. Ele não pode derrotar Deus e seu Filho. Numa grande destruição, Satanás é lançado abaixo, simbolizando sua ruína.

Que Satanás tenha sido atirado à terra é, eu penso, significativo. É uma mudança na frente de batalha. Desde que Satanás não pôde derrotar Deus no reino espiritual, ele então volta sua atenção para o reino físico, onde ele espera ser vitorioso. É a mesma batalha pelo domínio espiritual sobre o homem, mas agora é uma batalha espiritual travada na terra. Agora, em vez de tentar destruir o Filho de Deus (tentativa que fracassou), ele tenta destruir o povo de Deus que vive na terra. Satanás inunda a terra com suas mentiras, enganos, tentações, etc., em seu esforço para destruir o povo de Deus, mas isto também fracassa (versículos 11,17).

Apocalipse 12:7-9 é sobre como Satanás recebeu uma derrota esmagadora pelo aparecimento e obra de Jesus. João escreveu isto para encorajar seus leitores que estavam sofrendo por causa do ataque de Satanás através de um poder mundial perverso, Roma. Eles poderiam suportar se soubessem que a vitória era deles. Conhecer a origem de Satanás não teria feito nada para encorajá-los a perseverar sob provações severas.
Então, donde veio Satanás?
Se nenhuma das passagens que são comumente citadas como relatos da origem de Satanás são realmente sobre sua origem, então donde ele veio? Bem, não estou certo de que a Bíblia revela a resposta para nós exatamente. Podemos ter uma curiosidade sobre o assunto, mas temos que não permitir que tal curiosidade nos instigue a encontrar respostas que ali não se encontrem.

O melhor que podemos fazer, eu penso, é inferir umas poucas coisas sobre Satanás. Primeiro, somente Deus (o Altíssimo) é incriado. Tudo o mais e todos no universo são criados. Portanto, Satanás é um ser criado. A Bíblia, em nenhum lugar diz que ele é um ser eterno como Deus. Segundo, a Bíblia atribui onipotência somente a Deus (o Soberano). Portanto, Satanás não é um ser onipotente. Ainda que ele tenha grandes poderes, Deus limita seu uso deles (conforme 1 Coríntios 10:13; Jó 1-2).

Terceiro, há seres que foram feitos e que existem acima do nível humano. Podemos chamá-los seres espirituais por falta de um termo melhor. Entre estes seres espirituais estão os anjos, mas estes aparentemente não são os únicos tipos de seres espirituais (conforme Efésios 6:12; Apocalipse 4-5). A respeito desta ordem de seres, conhecemos mais sobre anjos do que quaisquer outros. O quadro que obtemos pela palavra de Deus é que seres espirituais são muito mais interessados em negócios da terra e, às vezes, estão envolvidos neles. Por exemplo, anjos mediaram a Lei de Moisés (Gálatas 3:19), anjos anunciaram a ressurreição de Cristo (Mateus 28:5), e anjos desejaram ver o cumprimento do plano de Deus de salvação (1 Pedro 1:12). Embora isso possa ser uma especulação, também parece que seres espirituais, conquanto sejam criados, não obstante não são ligados em sua existência às limitações de tempo ou idade.

A Bíblia em lugar nenhum identifica Satanás como um ser humano. Ele é, obviamente, um dos seres espirituais sobre os quais lemos na Bíblia. Isto não quer dizer que Satanás seja um anjo. De fato, teria sido muito fácil, em qualquer dos contextos e para qualquer dos escritores, dizer que Satanás era um anjo, mas eles nunca o disseram. Ele é, não obstante, um ser espiritual e a Bíblia o descreve como, entre outras coisas,"o príncipe da potestade do ar" (Efésios 2:2). Vemos Satanás, pela primeira vez, no Jardim do Éden (Gênesis 3), justo no começo da história humana, e ele tem existido continuamente desde então.

Quinto, seres espirituais, como seres humanos, têm livre arbítrio. Judas descreve o castigo dos anjos rebeldes no versículo 6 de sua epístola, e Pedro fala de anjos pecando em 2 Pedro 2:4. Portanto, Satanás se opõe a Deus porque ele decide fazê-lo. Deus certamente não o criou para o mal ou como um ser mau, pois a Bíblia nos diz claramente que não há mal associado com Deus (Tiago 1:13; 1 João 1:5).

Parece que o máximo que poderíamos dizer sobre a origem de Satanás é que ele é um ser criado, mas espiritual, que decidiu opor-se a Deus, e que ele recruta outros seres espirituais e seres humanos em seus esforços. Mais do que isto é só especulação.

Conclusão
Num sentido muito significativo, não importa de onde Satanás veio. A ênfase na Bíblia cai, em vez no que ele faz. Não é como ele veio a existir que preocupa. É o fato que ele existe que nos preocupa. Ele continua a trabalhar contra nós em sua tentativa de dominar a humanidade, e para nós Jesus deixou a continuação da guerra. "Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Efésios 6:10-12).

- por David McClister

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