quarta-feira, 23 de março de 2011

Apneia é considerada problema de saúde pública


Sensação de noite mal dormida, cansaço, sonolência durante o dia. Você provavelmente já sentiu algo parecido. No entanto, estes sintomas, frequentes para algumas pessoas, podem caracterizar a Síndrome da Apneia/Hipopneia Obstrutiva do Sono (Sahos).

Apneia é um termo grego que significa "sem ar". Em síntese, a Sahos consiste na parada momentânea da respiração durante o sono e considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública mundial. O otorrinolaringologista do Hospital Amaral Carvalho e diretor do Núcleo de Otorrinolaringologia de Jaú, dr. João Fanton Neto, explica que com as paradas respiratórias, a saturação de oxigênio dos tecidos corpóreos e do sangue diminuem, aumentando a retenção de gás carbônico. "O resultado disso são problemas no organismo como um todo", salienta.

As apneias são classificadas em três tipos. Central, resultado de uma disfunção do sistema nervoso central em gerar o devido estímulo para os músculos da caixa torácica, o que impossibilita o início do esforo respiratório. Obstrutiva, na qual o esforo respiratório iniciado, mas o ar no chega a atingir os pulmões em decorrência da obstrução da via aérea. E mista, que rene as apneias anteriores.

Diagnóstico

O histrico de pacientes que dormem em qualquer lugar, sentem excesso de sono e fadiga o tempo todo, sonolncia ao dirigir ou tm esquecimentos fugazes, pode levar mdicos suspeitarem de Sahos.

Os profissionais que tratam de distúrbios do sono como apneia, normalmente correspondem às especialidades de otorrinolaringologia, neurologia ou cardiologia. Muitas vezes maridos ou esposas dos pacientes ajudam no diagónstico, informando sobre o ronco e despertares do parceiro. "Não raro, definem exatamente o tempo de parada e o tipo de apneia apresentada. Segundo relatos destas pessoas alguns eventos chegam a ser desesperadores, ocorre a nítida impressão que o indivíduo não vai voltar a respirar", explica o médico.

O diagnóstico só pode ser estabelecido por meio da Polissonografia, exame feito em um laboratório com ambiente apropriado ao sono e em uma confortável cama. Eletrodos ligados ao paciente monitoram cerca de 30 parâmetros do sono, como testes dos potenciais elétricos da atividade cerebral, batimentos cardíacos, atividade muscular, esforço respiratório, saturação de oxigênio no sangue, entre outros.

Além deste exame, deve ser realizada uma avaliação completa com a naso-fibro-laringoscopia (um mini-cateter acoplado a uma câmera avana, sob anestesia típica, cavidade nasal e chega na laringo-faringe, checando as alterações anatmicas e relacionando-as com as possíveis causas da apneia), e uma radiografia de perfil da face ou cefalometria. O objetivo relacionar as ditas partes moles com as estruturas ósseas e cartilaginosas da face, boca e laringo-faringe com o ronco e apneia.

Como cuidar

O tratamento geralmente multidisciplinar, ou seja, envolve vários profissionais da área de saúde e vai desde a orientação para troca de colchão e travesseiro uma dieta restritiva adequada.

O trato das causas otorrinolaringolgicas envolve, muitas vezes, o manejo clínico de rinites alérgicas ou aumento de estruturas nasais responsáveis às alergias. "Há pessoas que, ao tratar eficientemente a rinite alérgica, diminuem a intensidade do ronco e apneia, causados pela obstrução nasal", ressalta o médico.

Atualmente, o tratamento mais eficiente a uvulopalatofaringoplastia, popularmente conhecida como "cirurgia do ronco". uma espécie de cirurgia plástica do palato e da "campainha", que altera a ressonância destas estruturas e acaba com o ronco e apneia. Segundo o médico Fanton, muita mística envolveu esta técnica que agora bem estabelecida e, quando indicada de forma criteriosa, tem resultados fantásticos de até 100% de melhora dos pacientes.

Uma outra variedade terapeutica indicada para aqueles que não desejam ou no podem se submeter a uma cirurgia, o CPAP (Pressure Continuous Positive Airway ou Presso Positiva Contnua na Via Area, em portugus). Trata-se de um aparelho que fica beira da cama do paciente e, por meio de uma máscara de silicone confortável, insufla oxigênio de forma cadenciada, na cavidade oro-nasal. Esta insuflação, que tem pressão positiva e de fluxo adequado, regulado automaticamente com os movimentos respiratório do paciente, evita a apneia. "O único inconveniente deste equipamento a necessidade de dormir com uma máscara de silicone, mas a maioria dos pacientes se adapta em função da melhora atingida", adianta.

Tratamentos base de medicamentos ainda são pouco consistentes e se fundamentam no manejo dos problemas associados síndrome.

Ronco e obesidade

A apneia praticamente inseparável do ronco, que nada mais do que a tradução sonora que indica diminuição ou estreitamento da via aérea durante a passagem do ar. Os micro-despertares causados pela apneia e pelo ronco geram problemas como enfartos do miocárdio, fenômenos trombo-embólicos e hipertensão arterial de difícil controle, além de serem complicadores de enxaqueca, diabetes, disfunção erétil e estresse.

De acordo com o especialista, de modo geral, a apneia também associada obesidade ou ganho de peso precoce. A morbidade aumenta, bem como as incidências de doenças preceptadoras de Acidentes Vasculares Enceflicos (AVE), por exemplo. "A apneia considerada por muitos especialistas a causa adjuvante no Dficit de Ateno em crianas", enfatiza (com Departamento de Comunicação - Fundação Dr. Amaral Carvalho).

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