segunda-feira, 21 de março de 2011

Estudo por conta própria



Se passar em uma universidade pública não tem preço, conquistar a vaga estudando sozinho tem um valor enorme. Veja como se preparar em casa, sem precisar recorrer a um curso pré-vestibular



Cerca de 44% dos estudantes aprovados no último vestibular da Universidade Federal do Paraná(UFPR) não fizeram cursinho. Se passar em uma universidade pública não tem preço, conquistar a vaga estudando sozinho tem um valor enorme. Segundo professores é possível sim conseguir aaprovação sem pré-vestibular, mas isso requer muita dedicação, força de vontade e organização.
Basicamente são duas formas de se preparar: usando livros e apostilas ou com a ajuda da internet. A repórter Anna Simas ouviu professores e estudantes, e mostra os prós e contras de cada método. Confira, escolha o que melhor se adapta à sua rotina ou tire de cada um o que há de melhor:
Internet: se conecte ao conteúdo
Na primeira pesquisa na internet o estudante vai achar vários sites de cursinhos on-line, além de blogs e outros conteúdos relacionados às matérias que caem no vestibular. Mas fique atento: nem todos os materiais são confiáveis. ”O primeiro cuidado a tomar quando se decide estudar pela rede é saber que muita informação pode estar errada ou desatualizada. Não há filtro. Indico que o aluno só estude por sites de cursinhos que ele conhece ou de instituições confiáveis, como Sesi e Senai. Nos sites das universidades, os estudantes podem baixar provas anteriores”, diz Marcelo Guilherme, professor e gestor do pré-vestibular da ONG Em Ação.
Além desses endereços, alguns portais e veículos de comunicação trazem conteúdos, como o Vestibular da Gazeta do Povo, que está integralmente disponível na internet e publica, além de notícias sobre o tema, dicas de estudo e conteúdos que podem aparecer nas provas.
Antes de começar a estudar, o ideal é listar as páginas que você vai usar e determinar qual disciplina vai estudar em cada uma delas. “Para a prova de Redação, Geografia e História, os jornais e charges são boas fontes. Já para Matemática e também Geografia, os gráficos ajudam muito, tanto no cálculo quanto na interpretação”, explica o professor do curso de Geografia das Faculdades Integradas Espírita, Laercio de Mello, que também deu aulas no ensino médio do Colégio da Polícia Militar.
Há um problema que pode surgir na hora do estudo on-line: como tirar as dúvidas? Para isso, a dica é usar as redes sociais, como Facebook, Orkut e Twitter, onde existem comunidades de vestibulandos que discutem provas e conteúdos. “Nelas o estudante vai poder compartilhar suas dúvidas, trocar ideias e até saber o que está acontecendo nos cursinhos, quais os assuntos quentes para a prova”. diz Mello.
Thaís Pinheiro, 17 anos, mora em Sapopema, interior do Paraná. Na cidade não há cursinhos, por isso a opção foi estudar em casa, pela internet. Ela soube do SesiClick (www.sesiclick.org.br), site do Sesi em parceria com a ONG Em Ação, por uma prima. Baixou as apostilas e tirou dúvidas com os professores no próprio site. “Vou para o colégio à tarde e à noite, por isso aproveito a manhã livre para estudar. Estudo todos os dias, pelo menos uma hora. Tenho colegas de sala que fazem o mesmo,” conta ela, que ainda não decidiu que curso pretende fazer.
Assim como ela, Jaqueline da Silva Pinto, 24 anos, está usando os recursos da internet para conquistar a vaga em Fisioterapia na UFPR Litoral. Além das quatro horas por dia que passa em cima das apostilas que recebeu numa doação feita pelo Em Ação, assiste a videoaulas pelo computador e também usa o site do cursinho para tirar dúvidas. “Tenho medo das Exatas, por isso converso com professores e colegas pela internet para resolver exercícios e cada um ajuda no que mais domina.” Outra opção de videoaulas é o canal do Eureka no Youtube (www.youtube.com.br).
O tradicional material impresso
As apostilas de anos anteriores são um ótimo material para quem vai estudar em casa. Elas podem ser conseguidas por meio de amigos ou parentes que fizeram cursinho ou em lojas de livros usados, os sebos. Em Curitiba a média de preço nesses estabelecimentos é de R$10 por apostila.
Para quem vai optar por elas, o professor Marcelo Guilherme sugere fazer um cronograma diário. Nele, é importante dividir os horários para as diferentes disciplinas, como aconteceria em um cursinho. E, claro, seguir à risca o que foi determinado. “Tem de estudar tudo, mesmo que o vestibulando não goste de algum assunto. Ele precisa abrir a apostila, ler o conteúdo e tentar resolver os exercícios.”
Além das apostilas de cursinho, o conteúdo pode ser estudado pelos livros didáticos do ensino médio, apesar de ser mais trabalhoso. “Os livros trazem muita coisa, são mais indicados para a segunda fase, na qual o aluno precisa aprofundar o conhecimento.”
Caio Cristiano de Freitas, 17 anos, conseguiu apostilas do ano passado. Ele e outros colegas resolveram se reunir de uma a três vezes por semana para estudar em grupo. “Além do material, imprimimos provas de vestibulares anteriores e tentamos resolver as questões. Foi a maneira que encontramos de nos preparar”, conta. Esta, aliás, é uma forma de tentar diminuir a quantidade de dúvidas, já que um colega pode ajudar o outro. Afinal, quem não conhece a expressão “duas cabeças pensam melhor que uma”?
Embora planeje estudar também por apostilas, Uesley Anderson da Silva Rezende, 24 anos, não tem o mesmo tempo que Caio. Por isso pretende usar o fim de semana inteiro para se dedicar. “Trabalho durante o dia e faço curso técnico à noite. Não tinha outro jeito de fazer cursinho”, diz. Com tão pouco tempo disponível, ele diz que sua maior preocupação é não desanimar no meio do caminho, quando o cansaço e a insegurança teimarem em aparecer.
Um dos perigos de estudar por apostilas antigas é a desatualização dos conteúdos, pois todo fim de ano os cursinhos revisam e atualizam o material, inclusive algum gabarito de exercício que possa estar errado. Os assuntos, porém, geralmente permanecem, pois são os ensinados durante o ensino médio. O que mais muda são algumas contextualizações em História e Geografia. Por isso, para ficar atualizado, a dica é sempre acompanhar as notícias veiculadas em jornais, revistas, televisãol e internet.



Serviço
Confira alguns sites que podem ajudá-lo a estudar e sebos para comprar apostilas :
www.twitter.com/laerciodemello O professor de Geografia Laercio de Mello tira dúvidas sobre a disciplina.
www.sesiclick.org.br Nele o estudante encontra simulados, apostilas e vídeos.
www.nc.ufpr.br Tem as provas do anos anteriores.
Sebo Releituras: Vendem apostilas de extensivo, semi e intensivo. Rua República Argentina, 2.417 e Barão do Serro Azul, 71.
Club do Sebo: Vende algumas apostilas soltas. Avenida Munhoz da Rocha, 1.472, Cabral.

Siga as dicas
Independentemente do jeito que você vai estudar, pelas apostilas ou com a ajuda da internet, há dicas que servem para todos. Confira:
Assim que você definir para que instituição vai prestar vestibular, corra até o site da universidade e veja como é o processo seletivo. Confira também a concorrência, para ter noção do grau de esforço necessário.
Defina o quanto antes o curso, para saber se terá de se dedicar a algumas disciplinas mais do que a outras, no caso de haver provas específicas.
Imprima as provas de pelo menos dois vestibulares anteriores e tente resolvê-las. Isso é importante para se ter uma ideia de como o conteúdo é cobrado. Faça o mesmo com a prova do Enem, que hoje é requisito para a grande maioria das instituições.
Fique de olho no Vestibular da Gazeta do Povo, que traz simulados, assuntos e dicas. Não deixe de acompanhar o noticiário, para ficar por dentro de temas atuais, que sempre aparecem nas provas.
Alguns sites precisam ser visitados pelo menos uma vez por semana, pois trazem dados quentes para muitas disciplinas, como o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nele o aluno vai ver dados sobre a população brasileira, assunto que pode cair em Geografia, História e Português.
Faça seu cronograma e siga-o à risca. Tente escolher um período do dia para estudar e mantenha o horário até o fim do ano.
Estude pensando sempre em relacionar os conteúdos, pois a tendência dos vestibulares – e principalmente do Enem – é cobrar os assuntos de forma interligada. Por exemplo: o surto de dengue pode aparecer tanto na prova de Biologia como na Redação.
Anote sempre as dúvidas. Assim que tiver oportunidade de encontrar algum colega ou professor, aproveite para esclarecê-las.
Nada de só pensar em estudo. Mantenha alimentação saudável, exercício físico e boas noites de sono.
Fontes: Marlus Geronasso, professor de Literatura, Redação e coordenador do Programa Eureka; Laercio de Mello, professor do curso de Geografia das Faculdades Integradas Espírita; e Marcelo Guilherme, professor e gestor do pré-vestibular da ONG Em Ação.
Elas garantiram a vaga
Para a caloura de Engenharia Mecânica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Amanda Morara, o que não faltou para conquistar a tão sonhada vaga foi esforço.
Mesmo sem fazer cursinho, ela foi atrás e passou o ano todo estudando quatro horas por dia em casa, depois que voltava das aulas do terceiro ano do ensino médio. “Na minha escola não havia terceirão. A gente até tinha revisão para o vestibular, mas só no segundo semestre”, conta.




Fonte: Gazeta do Povo

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