domingo, 27 de março de 2011

Sinônimo de insegurança, ciúme excessivo deve ser tratado

Quando um dos parceiros é muito ciumento não adianta dar tempo ao tempo, porque a relação não vai melhorar
Reprodução
Sempre que algum dos parceiros se sentir invadido, o melhor é conversar e explicar os sentimentos

Lidar com uma pessoa ciumenta pode ser desgastante. Ainda mais quando chega ao ponto de a pessoa "fuçar" seu celular ou e-mail em busca de algo comprometedor – na maioria das vezes, inexistentes. Mas como driblar esse ciúme? E, no caso de ser uma pessoa ciumenta, como controlar esse sentimento? 

Em primeiro lugar, os dois lados têm de saber que o parceiro ciumento não está passando por uma fase passageira, e que é só ignorar determinadas atitudes e dar tempo ao tempo que as coisas vão melhorar. É o que explica o psicólogo Thiago Almeida, especialista no tratamento das dificuldades do relacionamento amoroso

"Logo que houver alguma situação que você não gostar ou se sentir invadido, pare para conversar e explicar seus sentimentos", recomenda. Até porque, continua, o ciumento tende a achar que suas atitudes são para preservar a relação. Uma dica: assim que sentir aquela vontade incontrolável de fuxicar as coisas do seu parceiro, respire fundo e faça outra coisa.

Ciúme exagerado é sinal de insegurança

"Às vezes, o namorado é galinha ou já houve traição, mas isso pode ser sinal de posse ou fruto da imaginação dela", ressalta a especialista. Longe de ser sinal de amor, ter atitudes extremas indica que a pessoa vive em função do amado e espera que o outro faça o mesmo. "Fazendo isso, você acaba afastando o parceiro, já que ele se cansa", ressalta. 

Em alguns casos, a pessoa ciumenta cria uma história negativa em sua imaginação, só para alimentar o sentimento, explica a psicóloga. Se vê o parceiro e um colega rindo, por exemplo, pode achar que há cumplicidade entre eles e que a relação vai além da pura amizade. "Ele não abre mão de sua posição, e o outro acaba cedendo, dando mais margem para achar que tinha razão", complementa. 

O psicólogo Thiago explica que há duas formas de agir do ciumento. A primeira delas é a protecionista, na qual a pessoa ciumenta acha que o outro está se afastando e redobra os cuidados para não perdê-lo. "Ela passa a se cuidar mais, fazer academia, e fica loira se o parceiro gostar de loiras, por exemplo", afirma.

Já o retaliador tem outra forma de expressar o ciúme. "Ele vai checar por que o namorado ou namorada não está atendendo ao telefone, vai até a casa da companheira e a revista, certo de que vai encontrar algo comprometedor", explica Almeida. O ciumento é dominado por um sentimento de posse, afirma a psicóloga Olga. "Quem ama quer ver o ser amado feliz", atesta.

Terapia ajuda

A terapia pode ser o único recurso para alguns ciumentos, segundo explica a psicóloga, pesquisadora e escritora Olga Tessari, autora do livro "Dirija Sua Vida Sem Medo - Caminhos para Solucionar os Seus Problemas". "Chega o momento em que ele mesmo busca ajuda, quando percebe que está afastando de si todas as pessoas que se preocupam com ele", conta. Mas o mais comum é o outro lado pressioná-lo a procurar tratamento.

"Há casos em que somente conversar não resolve. A terapia é a melhor forma de a pessoa acordar e ver que pode tentar ser melhor", explica. Olga teve um paciente cuja esposa pediu o divórcio após não suportar o ciúme do parceiro. "Ele tentava mudar, e até contava na agenda quantos dias ficava bom: 20. Depois, voltava tudo", afirma.

Nas sessões, a psicóloga conta que busca aumentar a autoestima do paciente e fazê-lo lidar com alguma mágoa passada que tenha forjado essa característica na personalidade dele. Ela trabalha com a abordagem comportamental cognitiva, focada no problema. Por isso, conversa para descobrir por que ele age de tal forma.

"A gente pede para o paciente listar aquilo que gosta de fazer, e contrastar com o que faz no dia a dia. Geralmente, ele percebe que muito do que faz diz respeito ao que o outro gosta", afirma. "Mostro que ele tem que se amar em primeiro lugar, para depois amar alguém", conclui a especialista. (Fonte: PortalVital/Unilever)


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