sábado, 26 de março de 2011

Perigo além da dengue



Os insetos podem agir como agentes transmissores de diversas doenças, como malária e leishmaniose
Info

É difícil encontrar um londrinese que não tenha ouvido falar do Aedes aegypti, mosquito trasmissor da dengue, nos últimos meses. Mas essa não é a única doença que pode ser transmitida por insetos. O próprio mosquito transmissor da dengue pode transmitir também a febre amarela urbana, erradicada do país há mais de cem anos e a febre chikungunya, doença comum nos continentes asiático e africano, com sintomas parecidos com o da dengue e que já teve pacientes brasileiros diagnosticados - todos contaminados no exterior. 


De acordo com a presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Rosana Camargo, o risco da doença chegar ao Brasil existe, mas depende de uma série de fatores. ''Isso depende muito do tempo de contaminção desses pacientes e da exposição ou não deles ao vetor (mosquito). Se isso for evitado dificilmente irá se espalhar pelo país.''. 



Para o superintendente de Vigilância em Saúde do Paraná, Sezifredo Paz, a febre chikungunya não é um risco. ''O Ministério da Saúde tem um monitoramento desses tipos de viroses, nosso foco agora está principalmente em combater os casos de dengue'', afirmou. 



Assim como a dengue e a febre amarela, a chikungunya é causada por um vírus e, por isso, deve ser tratada de forma sintomática. ''Não tem uma medicação capaz de matar esses vírus, por isso, o tratamento é feito tentando combater os sintomas da doença. Nesses casos a recuperação depende da reação de cada organismo'', explica o infectologista do Hospital São Luís de São Paulo, Orlando Jorge Gomes da Conceição. 



Invasão 



Outra doença que chega ao homem através de um mosquito e bastante disseminada no Brasil e no mundo é a malária. São cerca de 500 milhões de casos registrados anualmente no mundo todo, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria no continente africano. No Brasil, apesar de ter a maior parte dos casos concentrados no Norte, nenhuma região está livre da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2009 foram 76 casos confirmados no Paraná. 



De acordo com a infectologista Rosana Camargo, a invasão do homem aos ambientes selvagens está entre as causas da propagação da doença. ''Aqui no Estado, por exemplo, se começarmos a desmatar a Serra do Mar e invadir o espaço habitado por animais silvestres, que são os hospedeiros da malária, corremos o risco de trazer a doença para o ambiente urbano.'' 



Diferentemente da dengue, a malária é causada por um protozoário, por isso o tratamento é feito a base de medicamentos. A doença é transmitida pelo Anopheles sp, também conhecido como mosquito-prego. 



O inseto transmissor da leishmaniose já chegou ao meio urbano. Também causada por um protozoário, a doença chega ao homem e aos cães por meio do mosquito-palha. Neste caso, o cão quando picado pelo mosquito age como uma espécie de reservatório da doença. Ou seja, se um inseto não contaminado entrar em contato com o sangue do animal ele pode ser infectado e assim transmitir o protozoário ao homem. Por esse motivo, desde 1963 o Ministério da Saúde exige que todos os cães infectados com a doença sejam sacrificados. 



O tratamento humano também é realizado por meio de medicamentos. Há alguns anos, a leishmaniose estava presente apenas em alguns estados do Norte e Nordeste do país, mas hoje já atinge todas as regiões. Segundo levantamento do Ministério da Saúde foram registrados 409 casos no Paraná em 2009. 



De acordo com o infectologista Orlando da Conceição a prevenção pode ser feito por repelentes, mas alerta que a eficácia não chega a 100%. Rosana concorda e sentencia: ''Em casos extremos, principalmente como o da dengue em Londrina, a educação sanitária é a melhor alternativa''.


Bruna Quintanilha 
Especial para a Folha

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