sábado, 31 de outubro de 2009

Birote - A história do penteado no Japão




A história do penteado no Japão

Consta no registro que no dia 20 de agosto de 1878 (ano 6 Meiji) o Imperador Meiji realizou o danpatsu (cortar o cabelo, desfazendo o chonmage, ou o penteado ao estilo antigo). Até então, ele usava o chonmage, que aos poucos foi perdendo o prestígio ante a acelerada onda de ocidentalização que assolou o Japão logo após a revolução de Meiji, levando as pessoas a cortarem o tradicional chonmage e trocar as vestimentas típicas japonesas às vestimentas e calçados ocidentais para serem mais chiques e modernos. Por outro lado, a tradição de 250 anos arraigada durante o Período Edo não se desfez tão facilmente. O danpatsu foi liberado em 1871 (ano 4 Meiji) mas antes disso, os altos funcionários do governo que eram enviados ou iam estudar nos Estados Unidos ou na Europa já adotavam o cabelo curto, surpreendendo os compatriotas ao regressar ao Japão. O corte ocidental se tornou comum entre os diplomatas e os ligados ao comércio exterior, tornando-se um símbolo do florescimento da civilização. Mas entre os populares ainda existiam os que usavam o chonmage. Dizem que devido a isso, até houve uma província que cobrasse impostos sobre o chonmage. Dizem também que os funcionários públicos percorriam toda a vila e, ao achar alguém com tal penteado, imediatamente cortavam-no. O Imperador Meiji também decidiu-se pelo danpatsu.

Os penteados dos cabelos sofreram transformações com a época. Nos tempos primitivos, o penteado visto em mitologia ou nos amuletos em forma de bonecos é um penteado masculino chamado hamizuta, que consiste em dividir os cabelos ao meio da testa, amarrando-os nas laterais da cabeça acima de cada orelha em formato de 8. Desde o Período Nara (710 a 784 d.C.) até o final do Período Muromachi (1392 a 1573 d.C.) foi adotado o sistema de utilização de kanmuri ou eboshi (tipos de chapéu que indicavam a hierarquia). Como todos os homens utilizavam esses chapéus, seus cabelos ficavam invariávelmente amarrados no alto da cabeça, não tendo então alterações nas suas formas. No período Kamakura, com as contínuas guerras civis, os samurais utilizavam com freqüência o elmo, e para evitar que os cabelos da região sobre a cabeça provocasse excesso de umidade e calor começaram a raspá-los, dando início ao sakayaki. Depois de entrar na Era Edo, os protocolos da corte e demais classes sociais se tornaram rigorosos, determinando até as cores dos cordões com que amarravam os cabelos presos: violeta para a nobreza, vermelha para os shoguns (generais), branca para os guerreiros de classe inferior. Quando este costume de raspar o alto da cabeça se espalhou entre os populares, surgiram os profissionais dessa atividade. Surgiram então em Edo centenas de kamiyuidoko, ou seja, barbeiros especializados.

Quanto ao cabelo feminino, na antiguidade usava-se cabelos lisos, amarrados ou soltos, mas no Período Nara, sob influência da China, passou a usar 2 birotes no alto da cabeça. Posteriormente, na Era Heian usou-se os cabelos lisos e soltos bem ao estilo japonês e, especialmente nas classes sociais altas o normal era tê-los com 2 metros de comprimento, sendo considerado ideal se estivessem por volta de 50cm mais longo do que a vestimenta. Porém, para as mulheres que trabalhavam, os cabelos longos não eram práticos, então prendiam-nos nas faixas ou nos cozes da vestimenta ou ainda na cabeça. Do Período Muromachi ao Período Edo, os cabelos ficaram mais curtos, e os penteados com cabelos presos passam a ser mais comuns. Essa moda começou a ser propagada pelas cortesãs, artistas de kabuki, e gravuras como ukiyo-ê, tendo perto de 300 tipos diferentes de penteado. Em 1885 foi fundada a Associação feminina de sokuhatsu (cabelos presos ao estilo ocidental) que, sob influências do danpatsu masculino defendia o fim do penteado estilo oriental e o uso do penteado ocidental. Devido a isso, até os anos 30 e 40 Meiji, a moda foi difundida desde as altas classes sociais até as camadas mais humildes. Nas Eras Taisho e início de Showa a vestimenta ocidental se generalizou e o permanente passou a ser moda no pós-guerra.

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