quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Origem do Batismo de João


Os estudiosos estão em desacordo quanto à origem do batismo de João. Alguns (Robinson, Brown, Scobie) pensam que João adaptou as purificações dos membros da comunidade de Qumran para seu batismo de arrependimento. Scobie coloca bastante ênfase em uma passagem do Manual de Disciplina (1 QS 2:25-3:12), em que encontra indícios de uma ablução de iniciação (batismo).25 Entretanto, não fica totalmente claro que a comunidade de Qumran tivesse um batismo de iniciação diferente das demais. O contexto dessa passagem sugere as abluções cerimoniais diárias realizadas por aqueles que já pertenciam à seita. (Veja H. H. Rowley, “The Baptism of John and the Qumran Sect,” NT Essays (1959), 220 e ss. A. Dupont-Sommer, The Essene Writings from Qumran (1961), 76, cuja seção é intitulada “The annual Census” (O Censo Anual)) Permanece ainda a possibilidade de João ter adaptado as abluções diárias dos membros da comunidade de Qumran, transformando-as em um rito de significado escatológico que fosse realizado uma única vez, sem repetições.Há outros que encontram o contexto histórico do batismo de João no batismo judaico dos prosélitos. Quando um gentio abraçava o judaísmo, deveria submeter-se a um banho ritual (batismo), à circuncisão e oferecer sacrifícios. O problema é determinar se o batismo de prosélitos já existia naquela época do Novo Testamento. Esta afirmação é algumas vezes negada, (T. M. Taylor, “The Beginnings of Jewish Proselyte Baptism,” NTS 2 (1956),193-97.) mas em outras ocasiões é confirmada por especialistas na literatura judaica. (See H. H. Rowley, “Jewish Proselyte Baptism,” NUCA 15 (1940), 313-34. Veja também T. F. Torrance, “Proselyte Baptism,” NTS 1 (1954), 150-54.) Cima vez que a imersão de prosélitos é discutida no Mishnah pelas escolas de Hillel e Shammai, (Pes. 8:8. Veja Danby, The Mishnah (1933), 148) verificamos que a prática já era conhecida em um período bem próximo ao do início do Novo Testamento.

Alguns estudiosos argumentam que teria sido algo muito paradoxal se João tratasse os judeus como se fossem pagãos,(G. Bornkamm, Jesus of Nazareth, 47.) mas pode ser que a questão do batismo de João resida precisamente nesse ponto. A aproximação do Reino dos céus significava que os judeus não podiam encontrar segurança no fato de serem descendentes de Abraão; que os judeus, a não ser pelo arrependimento, não poderiam ter mais certeza do que os gentios de que entrariam no Reino vindouro; que ambos, judeus e gentios, deveriam se arrepender e manifestar seu arrependimento pela sujeição ao batismo.

Há alguns pontos de semelhança entre o batismo de João e o de prosélitos. Em ambos os ritos, no batismo de João e no de prosélitos, o candidato era imerso ou imergia-se completamente na água. Os dois batismos envolviam um elemento ético, pelo fato de que a pessoa batizada fazia um rompimento total com sua antiga conduta para dedicar-se a uma nova vida. Em ambos os casos, o rito era de iniciação, pois introduzia a pessoa batizada em uma nova comunhão: uma comunhão com o povo judaico e a outra no círculo daqueles que estavam preparados para participar da salvação do Reino messiânico vindouro. Ambos os ritos, em contraste com as purificações judaicas comuns, eram realizados de uma vez por todas.

Entretanto, existem várias diferenças entre os dois tipos de batismo. O batismo de João tinha um caráter escatológico, ou seja, sua raison d'être foi a de preparar os indivíduos para o Reino vindouro. É esse fato que torna o batismo de João impossível de ser repetido. A diferença mais notável é que, ao passo que o batismo de prosélitos era administrado somente aos gentios, o batismo de João era aplicado aos judeus.

É possível que o contexto histórico que explique a origem do batismo de João não seja nem o batismo da comunidade Qumran, nem o de prosélitos, mas simplesmente as abluções cerimoniais previstas no Antigo Testamento. Os sacerdotes eram obrigados a se lavarem em sua preparação para ministrarem no santuário, assim como exigia-se que o povo participasse de certas purificações em várias ocasiões (Lv. 11-15; Nm. 19). Muitas declarações proféticas, bem conhecidas, exortam a uma purificação moral por meio da purificação que era simbolizada pela água (Is.1:16 e ss.; Jr. 4:14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ez. 36:25; Zc. 13:1). Além do mais, Isaias 44:3 interliga a dádiva do Espirito com a purificação futura. Qualquer que seja o fundamento histórico, João dá um novo significado ao rito da imersão ao conclamar o povo ao arrependimento devido à aproximação do Reino dos céus.
FONTE: Teologia do Novo Testamento - Ladd, George Eldon.

Um comentário:

DINEI FAVERSANI disse...

A palavra grega para «Batismo» é baptisma, que se deriva do verbo baptizõ, que etimologicamente significa «imersão», ato de imergir, mergulhar Assim sendo, a palavra Batismo, compreende-se a «imersão» a «submersão» e a «emersão». Isto explica a prática neotestamentária para o batismo (Atos 2.38,39), e a realidade do sepultamento e ressurgimento com Cristo Jesus (Rom 6.4). Ver mais sobre o Modo do Batismo Cristão.
Embora a expressão batismo aparece pela primeira vez na Bíblia ao ser anunciado por João, isto é, o Batismo de João, no entanto, existiam na verdade, alguns ritos batismais já antes do Cristianismo e de João Batista, inclusive entre algumas religiões pagãs e comunidade judaica (o batismo dos ‘prosélitos’, pessoas convertidas ao judaísmo e dos essênios), como símbolo da purificação e da renovação.
Antes do Ministério Público de Jesus, João Batista enfatizava um “batismo de arrependimento”, àqueles que desejassem entrar no prometido Reino de Deus. A despeito de algumas semelhanças com esses vários batismos, o significado bem como o propósito do batismo cristão vai muito além, não se compara.
O Batismo em Água – A Segunda Ordenança de Jesus à Sua Igreja
O Batismo em Água foi a segunda ordenança dada por Jesus, isto é, depois da Ceia do Senhor Jesus (Mat 28.19). A ordenança do batismo em água tem feito parte da prática cristã, desde Pentecostes. Era o rito que acompanhava à pregação do Evangelho (Atos 2.38).
Convém salientarmos, que o batismo em água não é simplesmente um costume observado pela Igreja de Cristo e nem tão somente uma idéia ou ordem de cunho totalmente apostólico. Porém, à sua observância e prática, obedece à ordem expressada pelo próprio Senhor Jesus (Mat 28.19). A observância do batismo foi a segunda ordenança dada por Jesus, a primeira foi a Santa Ceia, na noite em que foi traído (Luc 22.19,20).
De acordo com o livro de Atos, o batismo fazia parte da evangelização dos apóstolos (como já dissemos), de tal modo que é impossível dissociar o batismo da proclamação do Evangelho. O Batismo em água estava tão intimamente ligado com o cristianismo do primeiro século, que é «praticamente impossível a idéia de um cristão não batizado» no Novo Testamento. A Igreja do primeiro século levava a sério a questão sobre o batismo em água. Será que não devemos fazer o mesmo. Será que também não devemos levar a sério esta questão? Tudo é questão de conhecermos e compreendermos o valor do batismo dentro da esfera do Cristianismo.

SEJAM BEM VINDOS!

"A todos que passarem por essa página, desejo que Deus os abençoem e que traga a todos um raio de esperança e fé.