segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aspectos da conversão genuína



Se a regeneração representa o novo nascimento, no sentido de que Deus muda a disposição regente de nossa alma, renovando e transformando a nossa condição interna, atuando em nosso inconsciente para produzir uma nova vida, a conversão representa, na ordem da salvação, uma atitude consciente de mudança total de parte daquele que foi regenerado, algo como se realmente estivéssemos indo por um caminho e, mudando o sentido e direção, tomássemos outro totalmente diferente.

A conversão envolve duas atitudes fundamentais, marcas distintivas de mudança genuína: arrependimento, onde passamos a dizer não para o pecado, e fé, onde passamos a dizer sim para Cristo.

Mediante ação do Espírito Santo (Jo. 14-16), reconhecemos a nossa culpa diante de um Deus Santo e Justo, e que vivemos em pecado. Isso significa algo além de nos sentirmos envergonhados pelos nossas falhas ou erros: é deixar o orgulho de lado, e admitir que somos realmente culpados pelos nossos pecados contra o Senhor. Tristes pela nossa condição, passamos a detestar este estado pecaminoso em que nos encontramos e que nos escraviza, levando-nos a renunciar os valores e atitudes contrárias à Vontade de Deus e nos voltamos para Ele, suplicando pela Sua Misericórdia para conosco; ocorre portanto em nós uma grande mudança consciente. Uma vez verdadeiramente arrependidos, pela fé deslocamos nossa atenção de nós mesmos para Cristo, a fonte de nossa salvação e dons espirituais. Se pelo arrependimento reconhecemos a nossa culpa e que Deus é justo em Seu Juízo contra nós, pela fé em Cristo Jesus recebemos de Deus a nossa justificação.

É impossível negar que a necessidade de arrependimento e fé em Cristo são verdades bíblicas expressas tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos (e.g., Jr. 31:19; Jl. 2:19; Mt. 3:2, 4:17, 11:21; Jo. 8:11; At. 2:38). Sendo assim, uma pregação baseada apenas em confessar a Cristo para nosso aperfeiçoamento moral, bem-estar, prosperidade e felicidade não é uma pregação genuína do Evangelho. Jesus mesmo disse em Marcos 1:15 que é preciso arrepender e crer no Evangelho. Arrepender é reconhecer a culpa pelo pecado e querer sair desta situação, enquanto que crer no Evangelho é crer na Boa Nova de que em Cristo, e somente Nele, somos perdoados dos nossos pecados contra Deus e justificados, passando assim a ter paz com Ele (Rm. 5:1) e não mais morte, mas vida eterna (Jo. 3:15,16).

Considerando que não nos tornamos automaticamente perfeitos diante de Deus, mas ainda passíveis de pecar diante Dele enquanto estivermos neste mundo, a conversão não representa um ato necessariamente isolado: ao longo de nossas vidas podemos gradativamente reconhecermos pecados e mudar nosso proceder diante de Deus, o que também representa momentos de conversão. Neste sentido, a Bíblia nos exorta que, mesmo regenerados, somos chamados para a santificação, e não acomodação; somos chamados a matar o nosso "velho homem" todos os dias (Lc. 9:23; Ef. 4:20-24). O nosso alvo é claramente definido: temos que ser perfeitos como perfeito é o Nosso Pai (Mt. 5:48), e mesmo que isso não seja possível agora, é a Vontade do Senhor que realmente andemos por esta estrada.

Sendo assim, as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 6 são especialmente relevantes em uma época como a nossa, onde o conceito de pecado e arrependimento do pecado são tão banalizados: se somos realmente regenerados, mortos para o pecado e vivificados em Cristo, como podemos permanecer nele? Somos, em Cristo, livres do pecado, e não livres para o pecado: há uma grande diferença aí. Alguns podem até ter uma visão distorcida de que a Graça de Deus é pretexto para continuar em práticas contrárias à Sua Vontade, mas diante disso, afirmo que a verdade pura e simples é que estas pessoas precisam na realidade abrir o olho, pois estão indo, a passos largos, para o buraco.

Os crentes em Deus devem ser firmes no chamado ao arrependimento e na proclamação do Evangelho, mesmo que alguns não entendam que saber julgar e discernir os caminhos maus é uma atitude que revela sabedoria, e não "falta de amor" ou preconceito.

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