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terça-feira, 16 de junho de 2020

CADÊ A LAVA-JATO?

CADÊ A LAVA JATO?

Há muitas críticas ao STF, e essas devem existir, pois, aquele Órgão tem praticado um ativismo judicial que atende muitos casuísmo. Essa Alta Corte do Judiciário tem sido aparelhada, para atender interesses políticos e não da Nação. Houve em um passado muito recente, que não obstante o aparelhamento político do STF, uma Força Tarefa, colocou muitos bandidos de colarinho branco na cadeia, fato inédito no Brasil, onde só pobres são presos. A pergunta que não pode calar. Por quê essa Força Tarefa perdeu importância em tão curto espaço de tempo? A quem interessa no momento, o fim dessa atuação? Precisamos mudar a nossa cultura de eleitor torcida de futebol. Temos que deixar a paixão por políticos de lado, e sermos mais racionais e responsáveis, e passar a cobrar e fiscalizar as promessas de campanha. Somente assim teremos um Brasil melhor e mais justo, caso contrário, a corrupção e os péssimos políticos continuarão a existir no País. Dinei Faversani, Dinei Léia Faversani e Mariléia A. Fornitani Faversani.

PATRIOTISMO!

Bons tempos, em que podíamos sair livremente às ruas, para expressar o patriotismo e lutar por pautas que edificassem o País. Hoje, já não é possível, por várias razões, uma delas, a principal, é a PANDEMIA DO COVID-19, que não recomenda ao cidadão de bom senso, sair às ruas, para criar aglomerações, ainda que para reivindicar pautas justas para o Brasil. E outro motivo, é esse EXTREMISMO PERIGOSO, a radicalização entre grupos que ocorre no País, onde as pautas em prol da Nação deram lugar a brigas, vandalismos, provocações ignóbeis em defesas absurdas. Vamos usar a prudência! Dinei Faversani, Dinei Léia Faversani e Mariléia A. Fornitani Faversani. — com Mariléia A. Fornitani Faversani.

sábado, 17 de outubro de 2015

Em nome do pai, dos filhos, da nora e do amigão

Dois filhos e uma nora de Lula são citados como beneficiários de propina. Esquema envolve a intermediação do empresário José Carlos Bumlai, amigo íntimo do ex-presidente, denunciado por ISTOÉ em fevereiro

Marcelo Rocha

Na campanha eleitoral de 2002, o ex-presidente Lula e o pecuarista José Carlos Bumlai estreitaram laços. Com a ascensão do petista ao poder, Bumlai virou um dos principais conselheiros de Lula e passou a ter acesso privilegiado ao Planalto. Conquistou até o direito de ter um crachá que lhe garantia trânsito livre ao gabinete presidencial sem precisar ser importunado por seguranças. Descobriu-se depois que a amizade não era uma mera questão de afinidades. Bumlai passou a fazer negócios com Lula - muitos dos quais bem suspeitos. O alcance das reuniões dos dois ficou mais claro agora. Em fevereiro, ISTOÉ divulgou um documento do Banco Central comprovando que o banco da empreiteira Schahin havia concedido um financiamento irregular ao empresário no total de R$ 12 milhões. Em troca, a empreiteira ganhou contratos polpudos com a Petrobras de arrendamento de navios-sonda. Em 2012, Marcos Valério, o operador do mensalão, disse que parte do montante teria sido usada para comprar o silêncio do empresário Ronan Pinto, que ameaçou envolver Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato de Celso Daniel. Hoje se sabe que esse dinheiro também pode ter sido usado para pagar propina ao ex-diretor Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e bancar despesas pessoais do filho do ex-presidente petista, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de sua mulher.
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A GRANDE FAMÍLIA
Lula, os dois filhos e a nora estão na mira da PF e do Ministério Público
As revelações fazem parte do arsenal de histórias contadas aos integrantes da Lava Jato pelo delator Fernando Baiano, que na próxima semana será liberado para ir para casa – ele tem endereço na Barra da Tijuca, no Rio –, depois de ficar um ano atrás das grades. O conteúdo de seu depoimento começou a ser conhecido na última semana. Segundo Baiano, R$ 2 milhões da propina desviada da Petrobras foram repassados para custear gastos de Lulinha e da nora de Lula. Baiano disse que o pagamento que beneficiou a mulher de Fábio Luís Lula da Silva foi feito ao pecuarista José Carlos Bumlai e se referia a uma negociação envolvendo a OSX, empresa de construção naval de Eike Batista, hoje em recuperação judicial. O delator contou que trabalhava para que a OSX participasse de contratos da Sete Brasil, firma formada por sócios privados e pela Petrobras e que administra o aluguel de sondas para o pré-sal. Baiano disse ainda que pediu ajuda a Bumlai e que, adiante, o próprio Lula “participou de reuniões com o presidente da Sete Brasil para que a OSX fosse chamada para o negócio”. Mas há suspeitas que a propina que beneficiou a família de Lula também possa ter tido origem no dinheiro emprestado pela Schahin. Afinal, como se constata nas investigações, Bumlai virou uma espécie de elo entre intermediários do esquema do Petrolão e destinatários finais do dinheiro desviado. Ao que tudo indica, o amigão de Lula passou a deter a chave do cofre, para onde eram irrigadas as verbas que sangravam a estatal. Em sua delação, o lobista confirma que US$ 5 milhões em propina foram pagos pelo grupo Schahin, como contrapartida a um contrato de operações de navios-sonda. O Instituto Lula afirmou em nota divulgada na última semana que o petista nunca autorizou Bumlai a pedir dinheiro. Um segundo delator, Luiz Carlos Martins, ex-diretor da empreiteira Camargo Corrêa, também relatou episódios o envolvendo com propinas.
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Não é a primeira vez que o filho de Lula aparece envolvido em um escândalo. De monitor de jardim zoológico, Lulinha tornou-se empresário de sucesso no ramo das telecomunicações durante a permanência do pai na Presidência. A ascensão no mundo dos négocios chamou a atenção da CPMI dos Correios, que investigou o mensalão. Lulinha abriu a Gamecorp no final de 2004, com capital de R$ 10 mil, para atuar como produtora e provedora de material de informática voltado para celulares. A Gamecorp recebeu investimentos de R$ 5 milhões da Telemar, empresa com participação do fundo de pensão Petros, ligado à Petrobras, o que justificou a entrada da CPMI na apuração. Na ocasião, o relator da comissão, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) relatou pressões de governistas para livrar a cara de Lulinha.
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Em menos de um mês, Lulinha é o segundo filho de Lula a ser citado num escândalo de corrupção. A Operação Zelotes, da Polícia Federal, identificou rastros do preparador físico e empresário Luís Cláudio Lula da Silva numa negociata envolvendo medida provisória editada durante o governo Lula. A norma beneficiou montadoras de veículos com a prorrogação de desoneração fiscal, em valores que atingiram R$ 1,3 bilhão ao ano. Um dos escritórios contratados para fazer o lobby em Brasília fez repasses de R$ 2,4 milhões para a LFT, empresa de marketing esportivo de Luís Cláudio. O filho do ex-presidente afirmou que o dinheiro foi pago a ele por prestação de serviços relacionadas a marketing esportivo. Os investigadores não se convenceram dessa versão e tentam avançar no assunto.
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FIGURÃO
José Carlos Bumlai se aproximou de Lula na campanha de 2002.
A amizade rendeu frutos a ambos

Tal como os filhos e a nora, o ex-presidente petista também é cobrado a dar explicações a autoridades. Lula prestou depoimento ao procurador da República Ivan Cláudio Marx em Brasília na investigação sobre tráfico de influência na liberação de recursos do BNDES para obras no exterior com participação de empreiteiras brasileiras. Foram duas horas depoimento. O escritório Teixeira Martins, do amigo e advogado Roberto Teixeira, cuida do caso. Não houve intimação. A procuradoria aproveitou a presença do petista na capital do País para ouvi-lo. Em nota, o Instituto Lula afirmou que o ex-presidente afirmou que os presidentes e ex-presidentes do mundo inteiro defendem empresas de seus países no exterior. Disse que os valores recebidos por suas palestras foram declarados e contabilizados. “Quem desconfia do BNDES não tem noção da seriedade da instituição”, afirmou o petista, quando questionado sobre as suspeitas de interferências na relação entre o banco de fomento, países financiados e empreiteiras brasileiras. Não será a última palavra do ex-presidente sobre recentes escândalos. Lula ainda precisa falar à PF, na condição de informante, sobre a Operação Lava Jato.  
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/438762_EM+NOME+DO+PAI+DOS+FILHOS+DA+NORA+DO+AMIGAO

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

E-mails indicam que Odebrecht pediu ajuda de Dilma

O executivo Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato, durante depoimento à CPI da Petrobras em Curitiba, nesta terça-feira (01)
Executivo Marcelo Odebrecht está preso desde 19 de junho deste ano, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras(Vagner Rosário/VEJA.com)
Além de deixar claro o empenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para favorecer a Odebrecht em contratos no exterior, os e-mails interceptados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato incluem mensagens entre Marcelo Odebrecht e Giles Azevedo, chefe de gabinete na gestão Dilma Rousseff, e Anderson Dornelles, assessor especial da Presidência. Nas trocas de correspondência, o empresário queria que Dilma fizesse lobby do grupo na República Dominicana.
Dilma teve um encontro com o presidente dominicano eleito Danilo Medina, em 9 de julho de 2012. Na véspera da visita de Medina ao Brasil, em 5 de julho daquele ano, Odebrecht - preso na Lava Jato - escreveu para o chefe de gabinete da Presidência e para Anderson Dornelles: "Caros Giles e Anderson, peço o favor de entregar à presidente Dilma a nota em anexo referente ao encontro dela com o presidente da República Dominicana, que segundo fui informado, será esta segunda, 9 de julho, pela manhã. Fico à disposição para qualquer informação adicional. Obrigado e forte abraço. Marcelo."
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A "nota" continha um resumo da atuação e dos empreendimentos da Odebrecht no país de Danilo Medina. O empreiteiro intitulou o documento de "ajuda memória da Odebrecht para a visita do presidente da República Dominicana". Ele destaca que o grupo "tem 6.112 integrantes locais, sendo 568 jovens engenheiros dominicanos". Como exemplo de "nossa atuação e inserção social junto às comunidades, além da própria atuação empresarial sustentável", a Odebrecht cita programa de alfabetização de adultos, reforma e ampliação de escolas públicas, construção de unidade de beneficiamento de café, saúde bucal, entre outras iniciativas.
"Face a relevância de nossa atuação no país [República Dominicana] seria importante que a presidente Dilma possa em seu encontro próximo com o Presidente Dominicano recém eleito Danilo Medina reforçar: a confiança que tem na Organização Odebrecht em cumprir os compromissos assumidos; a disposição de, através do BNDES, continuar apoiando as exportações de bens e serviços do Brasil, dando continuidade aos projetos de infraestrutura prioritários para o país." Ele assinala que o BNDES financia a exportação de bens e serviços para a República Dominicana desde 2002.
As trocas de e-mails demonstram que Odebrecht estava empenhado para que seu pedido chegasse, de fato, a Dilma. Às 13h21 do dia 6 de julho, a secretária da presidência da Odebrecht, Darci Luz, enviou e-mail para Alexandrino Alencar, executivo ligado à companhia, informando que "Marcelo enviou ontem à noite o documento para o Giles, para entregar à Presidente e está pedindo para o sr. confirmar com ele se recebeu e se conseguiu entregar a ela". Na mesma mensagem, Darci Luz diz que ligou para a secretária de Giles "mas ele estava fora e como foi para o e-mail pessoal ela não soube me informar".
Leia a nota da Odebrecht sobre o caso: "A Odebrecht esclarece que os trechos de mensagens eletrônicas divulgados apenas registram uma atuação institucional legítima e natural da empresa e sua participação nos debates de projetos estratégicos para o país - nos quais atua, em especial como investidora. A empresa lamenta, no entanto, a divulgação e interpretações equivocadas sobre mensagens sem qualquer relação com o processo em curso."
(Com Estadão Conteúdo)
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/e-mails-indicam-que-odebrecht-pediu-ajuda-de-dilma

'Dossiê Petrobras' na Suíça reúne mais de 100 contas bloqueadas

Petrobras aumenta o preço da gasolina em 6% e o do diesel em 4%
'Dossiê Petrobras' promete enrolar mais 100 nomes no escândalo(Ueslei Marcelino/Reuters)
Nos escritórios de Lausanne do Ministério Público da Suíça, um tema é recorrente: o Brasil. Se os suíços já revelaram importantes informações sobre ex-diretores da Petrobras, Odebrecht, operadores, doleiros e, mais recentemente, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), investigadores próximos do caso afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que existem mais de cem contas congeladas e que ainda não tiveram seus nomes publicados. O volume de dinheiro movimentado poderia chegar a 1 bilhão de reais.
Para pessoas próximas à investigação, o processo e envio de dados ao Brasil vai continuar em 2016. No mês que vem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve fazer uma viagem para Berna, no que acarretaria em novos anúncios sobre os resultados da cooperação entre os dois Ministérios Públicos.
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Os suíços iniciaram a investigação sobre os ex-diretores da Petrobras ainda no final de 2013. Uma intensa colaboração foi iniciada com o Brasil e centenas de páginas de extratos bancários e informações começaram a ser enviadas ao país. Em novembro de 2014, os procuradores Orlando Martello, Deltan Dallagnol e Eduardo Pelella estiveram na Suíça à procura de documentos para as investigações da Operação Lava Jato. Para pessoas próximas ao caso, foi a capacidade de confiscar as movimentações de milhões de dólares nas principais praças financeiras suíças que permitiu a Lava Jato caminhar.
Do lado do Brasil, a delação premiada de diferentes atores também alimentou a busca na Suíça. A cada nova revelação, os investigadores brasileiros acionavam os suíços que, então, ampliavam as buscas. Fontes do MP do país europeu confirmaram ao Estado que a investigação ganhou tal dimensão que o "dossiê Petrobras" foi dividido em mais de uma dezena de subcasos.
Apuração - Para os suíços, a constatação é de que a onda de revelações não vai se secar por enquanto. Se muitos dos nomes dos envolvidos já são conhecidos, os investigadores garantem que mais de cem contas já bloqueadas ainda não tiveram seus detalhes revelados e que a apuração ainda continua para traçar a origem do dinheiro e seu destino final. Segundo as investigações, diversos operadores criaram uma rede complexa de empresas de fachada, fundos abertos em paraísos fiscais e camuflaram seus nomes para dificultar a busca de informações.
Ainda assim, uma parte substancial desse volume inicial de dinheiro congelado já começou a ser devolvido ao país - valores em contas de suspeitos que concordaram em fechar acordos de delação premiada. Até o momento, cerca de 390 milhões de reais foram repatriados ao Brasil, incluindo cerca de 189 milhões de reais pertencentes ao ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e outros 89 milhões de reais de Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento). No total, porém, os suíços confiscaram cerca de 400 milhões de dólares (1,5 bilhão de reais, ainda que nem todo o dinheiro tenha o direito de retornar ao Brasil, mesmo com as condenações).
(Com Estadão Conteúdo)
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dossie-petrobras-na-suica-reune-mais-de-100-contas-bloqueadas

domingo, 11 de outubro de 2015

Fernando Baiano afirma que pagou despesas pessoais para Lulinha

Em delação, Fernando Baiano afirma que pagou despesas pessoais para Lulinha

Apontado como um dos operadores do PMDB na Lava Jato, ele diz que pagou cerca de R$ 2 milhões em gastos do primogênito de Lula


REDAÇÃO ÉPOCA
11/10/2015 - 11h11 - Atualizado 11/10/2015 11h32


O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, afirmou, em delação premiada, que pagou cerca de R$ 2 milhões em despesas pessoais de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segundo Lauro Jardim, em blog que estreia no O Globo neste domingo. A delação foi homologada na sexta-feira (9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Lulinha é primogênito do ex-presidente Lula.
Baiano, apontado como um dos operadores do PMDB no esquema de corrupção que envolve empreiteira, partidos políticos e a Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, ficará preso até 18 de novembro.
 Fernando Baiano (Foto: Junior Pinheiro Folhapress)
Fernando Baiano assinou o acordo de delação premiada, agora homologada, há um mês, em 9 de setembro. Ele está preso há um ano. Baiano é suspeito de intermediar negócios entre empreiteiros, políticos do PMDB, a Petrobras e a subsidiária Transpetro. Uma das acusações diz respeito a um contrato de navios-sonda assinado com a Petrobras. Segundo a acusação, houve desvio de recursos dos contratos de fornecimento dos Navios-Sondas Petrobras 1000 e Vitoria 1000, por meio de operações simuladas de consultoria e utilização de contas secretas. Em agosto de 2015, Baiano foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 16 anos de prisão.
Fonte: http://epoca.globo.com/tempo/filtro/noticia/2015/10/em-delacao-fernando-baiano-afirma-que-pagou-despesas-pessoais-para-lulinha.html

sábado, 10 de outubro de 2015

Lula enredado

Além da Lava Jato, outras duas investigações da PF têm potencial para complicar a vida do ex-presidente. Telegramas obtidos por ISTOÉ sugerem intervenção do petista no BNDES para financiar construção de rodovia na África

Marcelo Rocha
Há duas semanas, o ministro do STF, Teori Zavaski, autorizou que o ex-presidente Lula seja interrogado pela Polícia Federal na condição de informante. O petista terá de esclarecer em breve por que o Instituto Lula e a empresa que promove suas palestras figuraram na contabilidade de companhias acusadas de desviar recursos da Petrobras. A Operação Lava Jato, porém, não é a única na qual Lula aparece enredado. A teia é mais extensa e pelo menos outras duas investigações têm potencial para complicar a vida do ex-presidente: a Zelotes, que esmiuça falcatruas cometidas contra o Carf, o tribunal de recursos contra multas da Receita, e a Acrônimo, que apura irregularidades na campanha do governador de Minas, Fernando Pimentel. Esta última, aos poucos, mergulha nas operações nacionais e internacionais do BNDES. Aí mora o problema para Lula. Há suspeitas de tráfico internacional de influência na liberação de financiamentos.
Na última semana, ISTOÉ teve acesso a um conjunto de telegramas do Itamaraty. Neles, existem relatos de embaixadores na África que sugerem uma intervenção de Lula para ajudar a encaminhar assunto que se arrastava por pelo menos três anos: a liberação de dinheiro do BNDES para financiar a construção de rodovia no Benin. O assunto foi tratado em viagem que o ex-presidente fez ao País em março de 2013. Acompanharam Lula, além de Paulo Okamoto e Celso Marcondes -- seus assessores no Instituto --, executivos de algumas empreiteiras. Estavam lá, entre outros, Marcos de Queiroz Galvão, da Queiroz Galvão e Adelmário Pinheiro, da OAS. As empresas são investigadas pela força tarefa da Lava Jato.
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CAÍRAM NA REDE 
Lula e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (abaixo), que teve
os sigilos quebrados, são alvo da Operação Acrônimo
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A conversa entre Lula e o presidente Boni Yayi foi narrada pelo embaixador Arnaldo Caiche D’Oliveira em telegrama do dia 19 de março de 2013. Segundo o embaixador, o presidente do Benin reclamou com o ex-colega da dificuldade de liberação do dinheiro para a construção da rodovia Ketou-Savé. “(Boni Yayi) solicitou apoio do ex-PR Lula para a flexibilização das exigências do COFIG/BNDES”, relatou D’Oliveira. A situação não era boa para o Benin. O assunto já havia sido provocado por Yayi durante sua vinda ao Brasil em março de 2012. O líder africano pediu ajuda a presidente Dilma Rousseff, mas o processo não andou, o que motivou Yayi voltar à carga quando Lula por lá esteve em 2013. “Sobre as propostas de projetos apresentadas pela parte beninense, o ex-presidente Lula asseverou: “temos que contribuir com a África (...)vimos que há projetos e os empresários brasileiros vão estudar o que existe e onde podemos intervir”, disse o petista, segundo relatou o então embaixador brasileiro no Benin, Arnaldo Caiche D’Oliveira.
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OS TELEGRAMAS DO ITAMARATY
Documentos abaixo sugerem intervenção de Lula
para construção de rodovia no Benin
 Em maio de 2014, Lula foi à Nigéria para o World Economic Forum on Africa e ouviu novamente as queixas do presidente do Benin, segundo relato do embaixador João André Lima. No fim daquele mês, o financiamento para a construção da rodovia do Benin foi aprovado. Na ocasião, o consórcio previamente contratado para tocar a obra era formado pelas empresas brasileiras Sucesso e Fidens. Em fevereiro de 2015, houve uma mudança na configuração do consórcio. A Queiroz Galvão adquiriu a participação da Fidens no negócio e parte do que detinha a construtora Sucesso, passando a controlar 65% do consórcio. O Instituto Lula negou irregularidades nas atividades. “A atuação de Lula é legítima, dentro da lei, patriótica e nunca pediu ou recebeu remuneração por isso”, disse à ISTOÉ. Na quinta-feira 8, no contexto da Operação Acrônimo, a CPI do BNDES aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da OPR Consultoria, antiga empresa do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.
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Outra frente de apuração da PF capaz de implicar Lula é a que investiga irregularidades no Carf. A PF identificou indícios de que uma negociata envolvendo medida provisória editada durante o governo Lula que beneficiou montadoras de veículos com a extensão de desoneração fiscal. Um dos escritórios do lobby fez repasses de R$ 2,4 milhões para uma empresa de marketing esportivo de Luís Cláudio, filho do ex-presidente. A CPI do Carf, no Senado, investiga mais este caso que se soma à já intrincada rede de problemas envolvendo o ex-presidente petista.
Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula; OMAR FREIRE 
Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/438335_LULA+ENREDADO

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