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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Origem do Batismo de João


Os estudiosos estão em desacordo quanto à origem do batismo de João. Alguns (Robinson, Brown, Scobie) pensam que João adaptou as purificações dos membros da comunidade de Qumran para seu batismo de arrependimento. Scobie coloca bastante ênfase em uma passagem do Manual de Disciplina (1 QS 2:25-3:12), em que encontra indícios de uma ablução de iniciação (batismo).25 Entretanto, não fica totalmente claro que a comunidade de Qumran tivesse um batismo de iniciação diferente das demais. O contexto dessa passagem sugere as abluções cerimoniais diárias realizadas por aqueles que já pertenciam à seita. (Veja H. H. Rowley, “The Baptism of John and the Qumran Sect,” NT Essays (1959), 220 e ss. A. Dupont-Sommer, The Essene Writings from Qumran (1961), 76, cuja seção é intitulada “The annual Census” (O Censo Anual)) Permanece ainda a possibilidade de João ter adaptado as abluções diárias dos membros da comunidade de Qumran, transformando-as em um rito de significado escatológico que fosse realizado uma única vez, sem repetições.Há outros que encontram o contexto histórico do batismo de João no batismo judaico dos prosélitos. Quando um gentio abraçava o judaísmo, deveria submeter-se a um banho ritual (batismo), à circuncisão e oferecer sacrifícios. O problema é determinar se o batismo de prosélitos já existia naquela época do Novo Testamento. Esta afirmação é algumas vezes negada, (T. M. Taylor, “The Beginnings of Jewish Proselyte Baptism,” NTS 2 (1956),193-97.) mas em outras ocasiões é confirmada por especialistas na literatura judaica. (See H. H. Rowley, “Jewish Proselyte Baptism,” NUCA 15 (1940), 313-34. Veja também T. F. Torrance, “Proselyte Baptism,” NTS 1 (1954), 150-54.) Cima vez que a imersão de prosélitos é discutida no Mishnah pelas escolas de Hillel e Shammai, (Pes. 8:8. Veja Danby, The Mishnah (1933), 148) verificamos que a prática já era conhecida em um período bem próximo ao do início do Novo Testamento.

Alguns estudiosos argumentam que teria sido algo muito paradoxal se João tratasse os judeus como se fossem pagãos,(G. Bornkamm, Jesus of Nazareth, 47.) mas pode ser que a questão do batismo de João resida precisamente nesse ponto. A aproximação do Reino dos céus significava que os judeus não podiam encontrar segurança no fato de serem descendentes de Abraão; que os judeus, a não ser pelo arrependimento, não poderiam ter mais certeza do que os gentios de que entrariam no Reino vindouro; que ambos, judeus e gentios, deveriam se arrepender e manifestar seu arrependimento pela sujeição ao batismo.

Há alguns pontos de semelhança entre o batismo de João e o de prosélitos. Em ambos os ritos, no batismo de João e no de prosélitos, o candidato era imerso ou imergia-se completamente na água. Os dois batismos envolviam um elemento ético, pelo fato de que a pessoa batizada fazia um rompimento total com sua antiga conduta para dedicar-se a uma nova vida. Em ambos os casos, o rito era de iniciação, pois introduzia a pessoa batizada em uma nova comunhão: uma comunhão com o povo judaico e a outra no círculo daqueles que estavam preparados para participar da salvação do Reino messiânico vindouro. Ambos os ritos, em contraste com as purificações judaicas comuns, eram realizados de uma vez por todas.

Entretanto, existem várias diferenças entre os dois tipos de batismo. O batismo de João tinha um caráter escatológico, ou seja, sua raison d'être foi a de preparar os indivíduos para o Reino vindouro. É esse fato que torna o batismo de João impossível de ser repetido. A diferença mais notável é que, ao passo que o batismo de prosélitos era administrado somente aos gentios, o batismo de João era aplicado aos judeus.

É possível que o contexto histórico que explique a origem do batismo de João não seja nem o batismo da comunidade Qumran, nem o de prosélitos, mas simplesmente as abluções cerimoniais previstas no Antigo Testamento. Os sacerdotes eram obrigados a se lavarem em sua preparação para ministrarem no santuário, assim como exigia-se que o povo participasse de certas purificações em várias ocasiões (Lv. 11-15; Nm. 19). Muitas declarações proféticas, bem conhecidas, exortam a uma purificação moral por meio da purificação que era simbolizada pela água (Is.1:16 e ss.; Jr. 4:14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ez. 36:25; Zc. 13:1). Além do mais, Isaias 44:3 interliga a dádiva do Espirito com a purificação futura. Qualquer que seja o fundamento histórico, João dá um novo significado ao rito da imersão ao conclamar o povo ao arrependimento devido à aproximação do Reino dos céus.
FONTE: Teologia do Novo Testamento - Ladd, George Eldon.

sábado, 4 de agosto de 2012

Baal – O deus Cananeu

 .




Baal foi foi um mito importantíssimo por muito tempo nas terras de Canãa. Desde a década de quarenta, a arqueologia tem possibilitado conhecer cada vez mais sobre os povos antigos do oriente, principalmente o povo cananeu e sua religião. Descobertas arqueológicas no local da antiga cidade de “Ugarit” mostraram centenas de placas de barro pertencentes à biblioteca do templo de “Ras Sharma”. Esses textos religiosos provam que a oposição contra a qual a tradição de Moisés teve que lutar não era uma simples aglomeração de pequenos cultos de fertilidade presididos por insignificantes deuses e deusas, mas, pelo contrário, um dos mais elaborados sistemas religiosos do mundo antigo. A religião dos cananeus já era bem difundida e já estava estabelecida na Palestina antes da conquista israelita. Era uma religião com ritos bem elaborados e se identificava com os interesses de uma população agrícola. A religião dos cananeus era identificada com a natureza e tinha por objetivo ensinar os homens a cooperarem e a controlarem o ciclo das estações.
A história de Baal começa com a batalha entre Baal e “Yam-Nahar”, o deus dos mares e rios. Ela está contada em pequenas tábuas que datam do século XIV aC. Baal e Yam viviam ambos com “El”, o Sumo Deus cananeu. No conselho de El, Yam exige que Baal lhe seja entregue. Mas, durante a batalha, usando duas armas mágicas, Baal derrota Yam e está para matá-lo quando “Asherah” (esposa de El e mãe dos deuses) diz que é desonroso matar um prisioneiro. Baal envergonha-se e poupa Yam. Nesta batalha, Yam-Nahar representa o aspecto hostil dos mares e rios que ameaçam constantemente inundar a terra, enquanto Baal, o deus da tempestade, torna a terra fértil.


 Em outra versão, Baal mata o dragão de sete cabeças “Lotan”, chamado em hebraico de “Leviatã”. Em quase todas as culturas, o dragão simboliza o latente, o oculto e o informe diferenciado; portanto, com um ato verdadeiramente primitivo, Baal interrompeu o retorno à informidade primal. Por essa razão, é recompensado com um belo palácio, construído pelos deuses em sua honra. No início da própria história da religião, portanto, a criatividade é vista como divina. E na verdade nós ainda usamos essa linguagem religiosa para falar da “inspiração criadora”, que refaz a realidade e traz novo sentido ao mundo. Assim acontece nas artes plásticas, na música, na literatura, no trabalho, nas relações humanas…
Mas Baal sofre uma inversão: morre e tem que descer ao mundo de “Mot”, o deus da morte e da esterilidade. Quando sabe do destino de seu filho, o Sumo Deus El desce de seu trono, veste uma tanga e retalha as faces, mas não pode redimir o filho. É “Anat”, irmã e amante de Baal, que deixa o reino divino e vai em busca dele, na verdade sua alma gêmea, desejando-o, segundo o texto das tábuas, “como uma vaca deseja o seu bezerro e uma ovelha o seu cordeiro”. Encontra o seu corpo, e então prepara e oferece aos deuses e homens um banquete fúnebre em sua honra: pega Mot, abre-o com sua espada, divide-o, queima-o e tritura-lhe “como milho”, antes de semeá-lo ao chão. É assim que Baal se torna o deus do vento e do clima. De acordo com o baalismo, era ele quem enviava orvalho, chuva e neve e, conseqüentemente, quem dava fertilidade para a terra. Os cananeus acreditavam que era por causa de Baal que, ano após ano, a vegetação retornava após a estiagem, as fêmeas dos animais tinham inúmeras crias e as mulheres davam filhos e filhas para seus maridos.
Histórias semelhantes são contadas sobre as outras grandes deusas – Inana, Ishtar e Ísis – que buscam um deus morto e dão vida nova ao solo. Os cananeus estabelecem, entretanto, que a vitória de Anat deve ser perpetuada, ano após ano, em comemoração ritual. Mais tarde – não podemos saber ao certo como, pois as fontes são incompletas – Baal é trazido de volta à vida e devolvido a Anat. É uma apoteose de realização, inteireza e harmonia, simbolizada pela união dos sexos. E era celebrada numa grande festa, na antiga Canaã, com rituais bacanálicos, envolvendo sexo ritual, incesto e serpentes… não admira que, no texto bíblico do Antigo Testamento, o povo de Israel seja admoestado a manter distância das práticas do povo de Canaã…
Assim, ao imitarem os seus deuses, aqueles homens e mulheres acreditavam partilhar a luta deles contra a esterilidade e asseguravam a criatividade e a fertilidade do mundo. Mas a morte de um deus, a sua busca pela deusa e o posterior retorno triunfante à esfera divina eram temas religiosos presentes em muitas culturas antigas. Daí a completa originalidade da muito diferente religião do Deus Único adorado pelos hebreus. Uma novidade radical e inteiramente estranha, que exigia ascetismo, trazia regras de conduta moral e, mais do que isso, solicitava uma entrega amorosa. Uma proposta para um novo modo de vida, enfim; surgida num ambiente completamente hostil e que não conseguia compreendê-la. E que mesmo contra o tempo e todas as probabilidades naturais, superou tudo e todos e subsiste até os nossos dias.
Para entendermos melhor, vamos ver sobre Baal na bíblia e na demologia.
Arqueologia e a Bíblia
Baal é descrito como um deus semita e era adorado pelos Cananeus e Fenícios. Baal significa “O Senhor”, que deliberou sobre o alto deuses montados sobre o santo monte do céu. (Como uma redação: este não é um ponto absolutamente claro. El ou Elohim era realmente o pai Deus dos deuses em Cannon. El foi convidado para ajudar Baal quando ele foi morto por Mot, deus do submundo. El não pôde impedir a morte de Baal, mas Baal foi renascido) Baal era principalmente um deus do sol, chuva, trovões, fertilidade e da agricultura e, em algum momento, ele ultrapassa o deus da água, Yam. Baal é o filho do deus Dagan ou Dagon, outro deus Cananeu semita. Foi este “deus do grão”, que permitiu a ser Baal renascido. Originalmente, o deus semita Hadad – também chamado de Baal – foi venerado por Arameus que trouxeram o seu culto a outras partes do Mediterrâneo.
Na Demologia Cristã

Baal Rafar é um demónio cristão. De acordo com o demonologia cristã, Baal (“Bael geralmente soletrado”
 neste contexto; há uma Selo de Baalpossibilidade que as duas figuras não estão conectadas) estiveram classificadas como o primeiro e rei principal no inferno, governando sobre o leste. De acordo com alguns autores o Baal é um duque, com as sessenta e seis legiões de demónios sob seu comando. O termo “Baal” é usado em várias maneiras no antigo testamento, com o significado usual do mestre, ou do proprietário. Veio significar às vezes o deus pagão local de um pessoa particular, e ao mesmo tempo todos os ídolos da terra. Igualmente encontra-se em diversos lugares no Baalim plural, ou em Baals (2:11 dos juizes, 10:10). Havia muitas variações, tais como o deus de sol, o deus da fertilidade, e Beelzebuth, ou o “senhor das moscas”.


Durante o período inglês do Puritano, o Baal foi comparado a Satanás ou considerado seu assistente principal. De acordo com Francis Barrett, tem o poder fazer aqueles que o invocam de forma invisível, e para alguns demonologistas, seu poder é mais forte em outubro e segundo algumas fontes, pode fazer povos sábios, de terem problemas de voz (com um tom vocal caracterizada pela fraqueza da intensidade e excessivo soprosidade), e carregar cinzas em seu bolso. Enquanto seu antecessor semítico foi descrito como um homem ou um touro, o demónio que o Baal assumia, na tradição dos grimórios, a forma de um homem, de um gato, de um sapo, ou de combinações destes. Uma ilustração do livro Dictionnaire infernal (Dicionário do Inferno), de Collin de Plancyem 1818 colocou de forma curiosa, as cabeças das três criaturas em um jogo dos pés da aranha.
A ideia do Baal como um demónio, foi criada quando a cristandade transformou deuses antigos em demónios e o demonologia dividiu assim, a população demoníaca do inferno em diversas hierarquias. O Baal, deus Semita, não escapou, transformando-se em uma entidade separada do Beelzebub. Mas na verdade desde muito antes do cristianismo já existe referência sobre Baal, nos escritos judáicos antigos, por exemplo no livro dos Reis. O profeta Elias propoe um combate contra os profetas de Baal e segundo o Livro os derrota a todos com fogo enviado dos Ceus por Deus.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A origem de Satanás

LUCIFER, vem do latim, lux, lucis = luz; ferre = carregar


Na Antigüidade romana, a palavra "Lúcifer" era utilizada para designar o planeta Vênus quando este se posicionava de manhã, a oeste do Sol, antecedendo o seu nascimento. Significava, portanto  "portador da luz" (do latim lux = luz e ferre = carregar) e também era conhecida como "a Estrela da Manhã"


Lúcifer, uma expressão do latim!


Essa expressão Lúcifer não existe em nossa bíblia da versão em português, é uma palavra exclusiva da bíblia na versão da vulgata, confira os textos em Latin,

e em português na nossa bíblia:

Texto de Isaías 14:12  na Bíblia  em latim
14:12 quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes.

Texto de Isaías 14:12  na Bíblia em português
12  Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!

Muitos também, assemelha, a estrela da alva, com o planeta venus, aquela estrela que aparece bem cedo, ou no entardecer, é a estrela mais brilhante de todas. 

 David Bezerra de Melo






A Versão da Vulgata latina


A tradução de Jerônimo, feita diretamente do texto hebraico, datando de 400 d.C, traduz HYLL de Isaías 14:12, por “lúcifer.” O dicionário latim de Cassell identifica esta palavra como um adjetivo, significando “agüentando luz ou trazendo luz”. Usado como substantivo, significaria: ‘ Lúcifer, a estrela d'alva, o planeta Vênus; “Na mitologia, registra-se” o filho de Aurora e pai de Ceyx. O pequeno dicionário clássico de William Smith registra “Lúcifer” (latim) e “Phosphoros” (grego) ambos os epítetos dados para o planeta Vênus na antigüidade, junto com outras designações como “Hesperus”, “Vesperugo,” “Vesper,” “Noctifer,” e “Nocturnus” , introduzindo a escuridão da noite, em lugar da luz do dia. “Lúcifer” era usado também na mitologia como uma designação das deusas da luz, inclusive Ártemis, Aurora, Hecate, e outras. 




Abra qualquer número de obras de referência bíblica usadas comumente e olhe para o verbete "Satanás". Você encontrará, provavelmente, uma história familiar. Eu cito, como típico, o Complete Bible Handbook (Manual Completo da Bíblia), de L. O. Richards:

"O Velho Testamento indica que Satanás foi criado por Deus como um anjo governante chamado Lúcifer, com grandes poderes. Mas o orgulho levou Lúcifer a se rebelar contra Deus (conforme Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-15). Torcido agora pelo pecado, Lúcifer é transformado em Satanás, que quer dizer `inimigo´ ou `adversário´ ...Satanás é um poderoso anjo decaído, intensamente hostil a Deus e antagonista do povo de Deus." (páginas 245, 801).

Pergunte à maioria das pessoas que crêem na Bíblia de onde veio Satanás e nove entre dez lhe darão uma versão da história citada acima. A idéia de que Satanás é um anjo decaído a quem Deus expulsou do céu e que caiu na terra é tão espalhada que muitas pessoas acreditam que a Bíblia a ensina.

Pode surpreendê-lo descobrir que a Bíblia não ensina tal coisa. É certo que há passagens na Bíblia que falam de seres caindo do céu, mas não são sobre Satanás e usam linguagem figurativa. Somente por uma leitura descuidada destes textos pode alguém chegar à história popular relativa à origem de Satanás. Examinemos as passagens bíblicas relevantes, no contexto.
Quem é Satanás?
Onome "Satanás" é uma transliteração do hebraico satan, indicando um acusador no sentido legal, um queixoso que tem uma acusação a apresentar. Em Zacarias 3:1 lemos "Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor." Numa palavra, Satanás se opõe a nós, trabalha contra nós, ou "nos persegue", na tentativa de nos derrotar espiritual e moralmente. Jesus chamou-o homicida e mentiroso, em João 8:44. Em Apocalipse 12:9, João retrata Satanás como um grande dragão, uma representação que ressalta sua terrível natureza. Esse mesmo versículo identifica-o como a serpente (uma referência a Gênesis 3) e como o diabo, que é outro nome bíblico comum para ele. Talvez 1 Pedro 5:8 nos diga o que mais precisamos saber a respeito dele: "O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar".
A ênfase bíblica está no que Satanás é em relação conosco (um inimigo). Algumas pessoas, contudo, pensam que certos textos bíblicos vão mais além e nos dizem como Satanás veio a se tornar assim. Examinemos estes textos cuidadosamente.
Isaías 14:12-14
Esta passagem diz: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo."Você notará imediatamente que esta passagem não menciona Satanás por nenhum de seus nomes bíblicos comuns. Pode-se extrair deste texto uma teoria da origem de Satanás somente assumindo que esta passagem descreve-o, e ignorando o contexto desta passagem na mensagem de Isaías.

Isaías não estava discutindo Satanás em Isaías 14, nem a origem de Satanás de modo nenhum faz parte desta mensagem do profeta. Se dissermos que este texto é sobre a origem de Satanás, isso simplesmente torna sem sentido o contexto mais amplo. Isaías profetizou durante os reinados dos reis hebreus Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias (Isaías 1:1). Seu ministério abrangeu (aproximadamente) os anos 750 - 686 a.C., uns 65 anos, no máximo. Este foi um tempo quando o povo de Deus tinha se tornado corrompido pela idolatria. Deus enviou Isaías para pregar o arrependimento ao seu povo e para adverti-lo de que um fracasso em voltar-se da idolatria significaria desastre em escala nacional. Isaías pregou a ambos os reinos de Israel e Judá, cumprindo sua missão dizendo aos povos desses reinos que eles sofreriam terrivelmente se recusassem arrepender-se. Isaías 10:5-6 resume a mensagem ao reino do norte. Há linguagem semelhante (13:3-6) reservada para o reino do sul, o reino contra o qual Deus enviaria os babilônios.

A mensagem de Isaías não era completamente de desânimo e condenação. Os assírios e os babilônios, ele pregou, eram simplesmente instrumentos que Deus usaria para punir o seu povo. Uma vez que Deus tivesse usado essas nações para seus propósitos, Ele se voltaria e aplicaria seu julgamento sobre eles, pela impiedade deles próprios. É uma mensagem da soberania de Deus em ação que causa reverência e temor nos ouvintes. A Babilônia cairia, e depois disso Deus renovaria e reuniria seu povo e lhes daria uma gloriosa e nova existência. Isaías 14 é sobre a queda do império babilônico. Isaías diz aos habitantes do reino sulista de Judá que, depois que eles tivessem sofrido o castigo, viria o dia quando eles poderiam ver a queda de seu opressor e escarnecer de Babilônia do modo como esta tinha escarnecido de Judá. Veja os versículos 4 e seguintes. Isto é sobre Babilônia.

Ora, porque Isaías começaria o capítulo falando sobre a queda de Babilônia, interromperia com uma descrição da origem de Satanás, e então recomeçaria a falar sobre a queda de Babilônia? Simplesmente não faz qualquer sentido aqui no contexto ver 14:12-14 como sendo sobre a origem de Satanás. O fato é que Isaías estava descrevendo para povo de Judá o que eles estariam dizendo quando zombassem do rei de Babilônia que tinha sido rebaixado e decaído do poder (versículo 4). As mesas virariam, e Isaías está descrevendo a ironia de tudo isso. Até mesmo a leitura corrida da passagem revela que a linguagem aqui é poética e figurativa, e temos que tratá-la de acordo. "Céu" no versículo 12 é linguagem figurativa para o que é alto e exaltado, e Isaías está aqui descrevendo a alta consideração em que o rei de Babilônia era tido. O profeta descreve sua queda do poder figurativamente, como uma queda do céu. Então ele chama o rei de Babilônia, também usando linguagem figurada, a "estrela da manhã". Na sua glória, durante algm tempo, o soberano de Babilônia era como uma estrela brilhante no céu. Contudo, seu reinado e seu poder cairiam, e, mantendo as imagens, Isaías pinta sua extinção como uma estrela cadente.

Parte da incompreensão popular desta passagem resulta do aparecimento da palavra "Lúcifer" em algumas versões do versículo 12. A palavra hebraica em questão aqui é helel, que significa "estrela da manhã" e não tem nenhuma ligação com Satanás. "Lúcifer" é uma velha palavra latina que originalmente significava "portador da luz" e era o nome do planeta Vênus sempre que aparecia no céu matinal. Na época que esta palavra foi usada nas traduções deste versículo, "Lúcifer" não significava Satanás. Infelizmente, para muitas pessoas, hoje em dia, Lúcifer é o nome de Satanás (porque Isaías 14:12-14 é aceito como sendo sobre Satanás!). Não é porque os tradutores erraram, mas porque pessoas de tempos posteriores, ou esqueceram o que Lúcifer significava ou concluíram erradamente que era o nome de Satanás, ou ambos.

Isaías 14:13 recita a jactância arrogante do rei babilônico. Certa vez ele pensou que era o maior do mundo, que tinha poder e autoridade igual à do próprio Deus. Uma das características do retrato profético de Babilônia é seu grande orgulho. Contudo, Deus rebaixaria seu rei ao mais baixo nível imaginável para a mente hebraica: o Sheol, o reino dos mortos (versículo 15). Os versículos 9-11 descrevem como os habitantes do Sheol ficariam surpresos porque alguém que pensava ser tão "alto" estava agora entre eles, num lugar tão "baixo". O ponto é que o rei babilônico foi do extremo da exaltação mundana para a extrema humilhação, e isto era um feito de Deus, o julgamento de Deus. A coisa toda é um quadro, uma imagem, e não uma narrativa histórica literal. A ênfase está no contraste entre as condições do soberano babilônico "antes" e "depois". As pessoas, então, olhariam para o fracasso do rei babilônico e perguntariam: "É este o homem que fazia a terra tremer, que sacudia reinos, que fazia do mundo um deserto, derrubava suas cidades, que não permitia aos seus prisioneiros voltar para casa?" (versículos 16-17).

Você vê, então, que quando examinamos Isaías 14:12-14 em seu contexto, ele não nos diz nada sobre a origem de Satanás. É uma descrição figurativa da queda do rei de Babilônia.
Ezequiel 28:12-16
Outra suposta passagem sobre a origem de Satanás é Ezequiel 28:12-16, onde se lê: "... Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras."
A referência ao Éden é, para muitos, um indicador seguro de que esta passagem tem que ser sobre a origem de Satanás. Não importa que Satanás já fosse o inimigo do homem no Éden! Mas, novamente, é somente aceitando que esta passagem é sobre Satanás (a própria coisa que precisa ser provada) que podemos lê-la desse modo. O contexto aqui argumenta em outra direção.

As palavras de Ezequiel aqui dizem respeito ao rei de Tiro. Os versículos 1 e 11 tornam isto claro. O capítulo 27 é sobre a queda da nação, e o capítulo 28 é especialmente sobre a queda do rei dessa nação. Prestar um pouco de atenção ao contexto esclarece muito! Exatamente como na passagem de Isaías, tomar as palavras do profeta como descritivas de Satanás e sua "queda" é fazer deste capítulo um completo contra-senso.

Aqui a mensagem está em duas partes, mas cada uma delas apresenta a mesma mensagem. Os versículos 1-10 descrevem o rei de Tiro do ponto de vista de Deus. Como o rei de Babilônia, o rei de Tiro era orgulhoso, arrogante e jactancioso. Ele se achava divino, e assim declarava ter uma glória que não lhe pertencia (versículos 2,6,9). O profeta descreve sarcasticamente a grandeza do monarca nos versículos 3-5. Pela sua arrogância, o orgulhoso rei colherá o julgamento de Deus. O julgamento sobre ele é que Deus o abaterá (versículos 7-10). Os versículos 11-19 repetem esta mensagem. O retrato sarcástico que o profeta faz do rei reaparece nos versículos 12-16. O aumento no nível de imagens e figuras na linguagem aumenta o sarcasmo. O rei pensava de si mesmo em termos absolutamente altos, mas para Deus isto era pura loucura. A referência ao Éden no versículo 13 não é literal, mas significa que o rei imaginava-se privilegiado acima de todos os outros. Ele pensava que era especial, como querubim ungido de Deus ou como algém que vivesse na própria montanha de Deus (versículo 14). Ele se retratava nos termos mais gloriosos. Pela sua arrogância, Deus o julgaria severamente (versículos 16-19). Novamente, portanto, quando lemos esta passagem no seu contexto, vemos que não tem nada a ver com a origem de Satanás.Lucas 10:18
Em Lucas 10:18, Jesus diz: "Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago." Aqueles que pensam que Satanás é um anjo rebelde decaído acreditam que este versículo estabelece o assunto convincentemente. Contudo, de novo, precisamos olhar para esta afirmação no seu contexto.

Em Lucas 10:1 e seguintes, Jesus tinha enviado setenta discípulos numa missão de pregação. Realmente, era mais do que apenas uma missão de pregação, pois Jesus também os enviou para curar e expulsar demônios (versículos 9,17). É importante entender exatamente o que estes setenta discípulos cumpriram e o que o próprio Jesus cumpriu em seu ministério. Enquanto Jesus estava nesta terra, ele guerreou contra o reino de Satanás. Antes que Jesus pudesse estabelecer seu reino (o reino de Deus), ele tinha que invadir o território do inimigo, vencê-lo e tornar o inimigo (Satanás) impotente e fraco. Isto ele fez pregando o evangelho e demonstrando visivelmente seu poder. As curas miraculosas, e especialmente a expulsão de demônios, não eram atos casuais de bondade; elas eram em vez disso assaltos diretos sobre o reino de Satanás. Proclamando a "libertação dos cativos" no evangelho (veja Lucas 4:18), Jesus estava proclamando a derrota de Satanás e do pecado. Jesus veio libertar o homem do domínio de Satanás, um domínio esumido em pecado e morte.

É no contexto desta guerra espiritual que temos que entender os milagres associados com o ministério de Jesus e, mais tarde, dos apóstolos. Os milagres associados eram físicos, demonstrações visíveis, exemplos, ilustrações do que Jesus pode fazer pelos homens espiritualmente. Em nenhum lugar isto fica mais claro do que na expulsão de demônios. A possessão por demônios era uma manifestação óbvia do domínio de Satanás sobre pessoas. Que maior domínio sobre uma pessoa Satanás poderia ter do que invadir seu corpo, através de um demônio, e comandar seus atos? Quando Jesus expulsava demônios ele estava libertando pessoas da garra de Satanás, Ele estava destruindo o domínio do Maligno sobre elas. Era uma demonstração especialmente clara, ao nível físico, do poder do evangelho, e era uma ilustração de como Jesus podia libertar os homens do reino de Satanás e pô-los sob o reino de Deus.

O mesmo é verdade também quanto às curas milagrosas de Cristo. Doença e morte eram manifestações do poder de Satanás sobre o homem. Curando os doentes, Jesus estava livrando pessoas do poder de morte exercido por Satanás, assim vencendo-o. Observe o que Jesus disse sobre a mulher que tinha uma doença causada por um espírito em Lucas 13:16: "... esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos" não deveria ela ter sido libertada, no sábado? Jesus estava demonstrando, em suas curas milagrosas, seu poder sobre Satanás, seu poder para livrar os homens do domínio de Satanás. A cura era uma ilustração do que Jesus pode fazer por nós espiritualmente, através do seu evangelho. Assim, não é coincidência que Mateus ligue as atividades de pregar o evangelho e a cura dos doentes em Mateus 4:23: "Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda a sorte de doenças e enfermidades entre o povo." Estas duas atividades iam juntas muito naturalmente.

Quando os setenta discípulos retornaram, relataram seu grande sucesso a Jesus. regozijando porque "... os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!" (Lucas 10:17). Jesus os havia enviado como um exército para invadir o território de Satanás e guerrear. Sua campanha tinha tido um tremendo sucesso. Satanás sofreu uma derrota com cada demônio que eles expulsaram. Jesus respondeu com um reconhecimento: "Ele lhes disse: Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano". (versículos 18-19). Observe a menção de Jesus a "... sobre todo o poder do inimigo". Satanás estava sendo derrotado no ministério de Jesus. Os setenta discípulos tinham compartilhado esse ministério, e isso culminaria na maior vitória sobre Satanás: a morte e a ressurreição de Cristo que decisivamente derrotaram o poder de Satanás de pecado e morte, respectivamente. Assim, quando Jesus diz: "... eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago", ele estava descrevendo quão grandemente seu ministério estava derrotando o poder de Satanás sobre os homens. O poder de Satanás não mais seria incontestável e absoluto. Em sua obra, Cristo estava destruíndo o aparentemente invencível poder do pecado e da morte. Em linguagem que relembra Isaías 14:12-14, Jesus compara o poder anterior de Satanás a uma estrela, e essa estrela agora caiu. Apocalipse 9:12 e Mateus 24:29 também usam a imagem de uma estrela cadente para descrever a derrota do poder.

Portanto, novamente, o texto que alegamente prova a origem do diabo não é sobre a origem de Satanás de modo nenhum. É somente introduzindo tal idéia no texto que ele pode prestar algum serviço a tal doutrina.
Apocalipse 12:7-9
Talvez a passagem mais popular quando se fala sobre a origem de Satanás seja esta, Apocalipse 12:7-9. Ela diz: "Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e os seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos".

Quem quer que alguma vez tenha olhado para o Apocalipse de João sabe que nele abundam estranhos símbolos. É somente pela violência de tratar a linguagem simbólica literalmente, e por ignorar o contexto, que podemos tirar uma história da origem de Satanás deste texto.

Apocalipse 12 é uma descrição simbólica das circunstâncias espirituais que causaram e conduziram à perseguição que os leitores de João enfrentaram. João escreveu o Apocalipse para dar aos seus primeiros leitores uma visão de seu sofrimento, para vê-la num contexto mais amplo. Eles foram apanhados numa tremenda luta entre Deus e Satanás. O diabo estava tentando destruir a igreja, usando Roma como seu agente. João, assim, estava dando aos seus leitores uma perspectiva de sua situação que poderia ajudá-los a suportá-la. Como uma descrição simbólica e figurativa não devemos, certamente, lê-la literalmente, nem devemos tratá-la como alguma espécie de narrativa cronológica e histórica do que tinha acontecido.

Apocalipse 12 é admitida como uma passagem difícil, mas os estudantes que vêem o livro do ponto de vista de seu contexto histórico geralmente concordam que ele é sobre a vitória do povo de Deus e a derrota de seu inimigo, Satanás. A primeira parte do capítulo (versículos 1-6) apresenta diante de nós uma história de nascimento de uma criança do sexo masculino que se torna o dominador das nações. Esta imagem representa Cristo (a alusão ao Salmo messiânico, Salmo 2, em Apocalipse 12:5 confirma isto). Contudo, um grande dragão (Satanás) imediatamente desafia seu aparecimento. O aparecimento de Jesus desencadeia uma grande guerra espiritual (versículo 7). O domínio de Satanás sobre a situação humana tinha, até agora, ficado indisputado. Quando Cristo aparece, o poder de Satanás sobre o homem é efetivamente destruído, e Satanás sofre uma derrota esmagadora (versículo 9). A história básica que João apresenta aqui nos versículos 7 e seguintes é que Satanás perdeu sua tentativa de ganhar domínio sobre a humanidade. Ee e suas forças não são adversários para Deus e suas forças. Ele não pode derrotar Deus e seu Filho. Numa grande destruição, Satanás é lançado abaixo, simbolizando sua ruína.

Que Satanás tenha sido atirado à terra é, eu penso, significativo. É uma mudança na frente de batalha. Desde que Satanás não pôde derrotar Deus no reino espiritual, ele então volta sua atenção para o reino físico, onde ele espera ser vitorioso. É a mesma batalha pelo domínio espiritual sobre o homem, mas agora é uma batalha espiritual travada na terra. Agora, em vez de tentar destruir o Filho de Deus (tentativa que fracassou), ele tenta destruir o povo de Deus que vive na terra. Satanás inunda a terra com suas mentiras, enganos, tentações, etc., em seu esforço para destruir o povo de Deus, mas isto também fracassa (versículos 11,17).

Apocalipse 12:7-9 é sobre como Satanás recebeu uma derrota esmagadora pelo aparecimento e obra de Jesus. João escreveu isto para encorajar seus leitores que estavam sofrendo por causa do ataque de Satanás através de um poder mundial perverso, Roma. Eles poderiam suportar se soubessem que a vitória era deles. Conhecer a origem de Satanás não teria feito nada para encorajá-los a perseverar sob provações severas.
Então, donde veio Satanás?
Se nenhuma das passagens que são comumente citadas como relatos da origem de Satanás são realmente sobre sua origem, então donde ele veio? Bem, não estou certo de que a Bíblia revela a resposta para nós exatamente. Podemos ter uma curiosidade sobre o assunto, mas temos que não permitir que tal curiosidade nos instigue a encontrar respostas que ali não se encontrem.

O melhor que podemos fazer, eu penso, é inferir umas poucas coisas sobre Satanás. Primeiro, somente Deus (o Altíssimo) é incriado. Tudo o mais e todos no universo são criados. Portanto, Satanás é um ser criado. A Bíblia, em nenhum lugar diz que ele é um ser eterno como Deus. Segundo, a Bíblia atribui onipotência somente a Deus (o Soberano). Portanto, Satanás não é um ser onipotente. Ainda que ele tenha grandes poderes, Deus limita seu uso deles (conforme 1 Coríntios 10:13; Jó 1-2).

Terceiro, há seres que foram feitos e que existem acima do nível humano. Podemos chamá-los seres espirituais por falta de um termo melhor. Entre estes seres espirituais estão os anjos, mas estes aparentemente não são os únicos tipos de seres espirituais (conforme Efésios 6:12; Apocalipse 4-5). A respeito desta ordem de seres, conhecemos mais sobre anjos do que quaisquer outros. O quadro que obtemos pela palavra de Deus é que seres espirituais são muito mais interessados em negócios da terra e, às vezes, estão envolvidos neles. Por exemplo, anjos mediaram a Lei de Moisés (Gálatas 3:19), anjos anunciaram a ressurreição de Cristo (Mateus 28:5), e anjos desejaram ver o cumprimento do plano de Deus de salvação (1 Pedro 1:12). Embora isso possa ser uma especulação, também parece que seres espirituais, conquanto sejam criados, não obstante não são ligados em sua existência às limitações de tempo ou idade.

A Bíblia em lugar nenhum identifica Satanás como um ser humano. Ele é, obviamente, um dos seres espirituais sobre os quais lemos na Bíblia. Isto não quer dizer que Satanás seja um anjo. De fato, teria sido muito fácil, em qualquer dos contextos e para qualquer dos escritores, dizer que Satanás era um anjo, mas eles nunca o disseram. Ele é, não obstante, um ser espiritual e a Bíblia o descreve como, entre outras coisas,"o príncipe da potestade do ar" (Efésios 2:2). Vemos Satanás, pela primeira vez, no Jardim do Éden (Gênesis 3), justo no começo da história humana, e ele tem existido continuamente desde então.

Quinto, seres espirituais, como seres humanos, têm livre arbítrio. Judas descreve o castigo dos anjos rebeldes no versículo 6 de sua epístola, e Pedro fala de anjos pecando em 2 Pedro 2:4. Portanto, Satanás se opõe a Deus porque ele decide fazê-lo. Deus certamente não o criou para o mal ou como um ser mau, pois a Bíblia nos diz claramente que não há mal associado com Deus (Tiago 1:13; 1 João 1:5).

Parece que o máximo que poderíamos dizer sobre a origem de Satanás é que ele é um ser criado, mas espiritual, que decidiu opor-se a Deus, e que ele recruta outros seres espirituais e seres humanos em seus esforços. Mais do que isto é só especulação.

Conclusão
Num sentido muito significativo, não importa de onde Satanás veio. A ênfase na Bíblia cai, em vez no que ele faz. Não é como ele veio a existir que preocupa. É o fato que ele existe que nos preocupa. Ele continua a trabalhar contra nós em sua tentativa de dominar a humanidade, e para nós Jesus deixou a continuação da guerra. "Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Efésios 6:10-12).

- por David McClister

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O Hakama


O Hakama no Aikido, pequeno historial e simbologia


O hakama é, tradicionalmente, uma peça de vestuário do samurai. 
Antes de avançarmos convirá esclarecer que o comumente designado kimono, ou dogi, utilizado pelos praticantes de artes marciais como o judo, karate, aikido, etc. era tradicionalmente considerado, no Japão, roupa interior.
Regressemos ao hakama. Os cavaleiros samurais usavam essa peça de vestuário, feita de tecidos grossos, para protegerem as pernas do contacto com os arbustos durante as cavalgadas e as cargas.
Quando os samurais deixaram de ser uma força a cavalo e passaram a lutar a pé continuaram a usar o hakama como símbolo de classe social e de estatuto.
Na prática do aikido o uso do hakama pelos seus praticantes varia de escola para escola. Em muitas delas o uso do hakama só é permito quando o praticante atinge 1º dan, ou shodan (o 1º grau de cinto negro), noutras o uso do hakama é permito a partir do 3º ou 2º kyu, cinto verde ou azul, respectivamente.
No caso das senhoras, há muitas escolas, mesmo naquelas em que os homens só podem utilizar hakama a partir de uma dada graduação, onde lhes é permitido o uso de hakamas desde o início da prática - alegadamente para dissimular a sua feminilidade.
O criador do aikido, O Sensei (1) Morihei Ueshiba, afirmou enfaticamente que todos os praticantes deveriam usar hakama - embora convenha referir que na sua época o uso de tal peça de vestuário fazia parte da norma.
Foram, porém, as circunstâncias económico-financeiras do Japão, na época em que a prática do aikido se expandiu – no período pós-II Guerra –, que acabaram por determinar e influenciar o uso, se bem com algumas restrições, do hakama entre os seus praticantes.
Sendo um período de enormes carências e dificuldades financeiras entre a população japonesa, muitos bens eram extremamente difíceis de adquirir, entre os quais os tecidos e as roupas. Muitos dos praticantes de aikido pertenciam às classes baixas, não tendo, por isso, condições económicas para adquirir um hakama. Não raro esses praticantes utilizavam um hakama de um seu parente; ou feito de tecidos fracos; ou mesmo com tecidos de cortinados. Com a prática do aikido esses hakamas rapidamente acabavam, após sucessivosremendos, por se desfazerem no dojo (2).
Por forma a contornar essa situação embaraçosa para os praticantes, optou-se por retardar a obrigatoriedade do uso dos hakamas. Assim, em muitas escolas acabou por se impor a obrigatoriedade do hakama só quando os praticantes atingissem o grau de shodan (1º dan), não que se quisesse tornar essa peça de vestuário um símbolo de saber, de conhecimento, antes uma forma de retardar o mais possível uma despesa ao praticante.
Nas escolas de aikido yoshinkan, criado pelo Sensei Gozo Shioda, também ele um ex-aluno de O Sensei, só o professor e eventualmente os mais altos graduados cintos negros utilizam hakama.
Contudo, no dojo de O Sensei a todos os praticantes, independentemente do seu grau de conhecimento, era exigido o uso do hakama. Não havendo um tipo defenido de hakama para a prática do aikido, as aulas eram de um colorido dificilmente imaginado nos nossos dias, com hakamas de todas as cores, de todos os feitios e de todas as qualidades de tecidos.
Conta-nos Sensei Saotome que quando era uchi deshi (3) de O Sensei, um dia esqueceu-se do hakama. Preparava-se para entrar no tatami (4) vestindo unicamente o dogi quando foi parado pelo O Sensei que lhe perguntou: “Onde está o seu hakama? O que o faz pensar que pode receber os ensinamentos do seu professor vestindo nada mais do que a sua roupa interior? Não tem sentido da conveniência? Obviamente que lhe falta a necessária atitude e etiqueta de um praticante do budo (5). Vá sentar-se e fique a observar a aula!”
O hakama, além de ser uma peça de vestuário associado à prática das artes do bushido (6), transporta, também, consigo um código, uma ética de comportamento, simbolizada pelas suas sete pregas (duas atrás e cinco à frente). Cada uma dessas pregas simboliza uma das sete virtudes do budo, que todo o guerreiro samurai deve respeitar, a saber: benevolência; honra e justiça; cortesia e etiqueta; inteligência e sabedoria; sinceridade; lealdade; e piedade.
A sua utilização simboliza as tradições que chegaram até nós, transportadas pelos praticantes, de geração em geração. Não deve, em alguma circunstância, servir como objecto ou acessório de aparato ou de exibição de superioridade. Esse comportamento transformará, segundo Sensei Saotome, o cerimonial com o qual se inicia e se finaliza a aula de aikido uma ofensa à memória e à arte de O Sensei.

(1) "O Sensei" significa "O Grande Professor". No Aikido é uma forma de tratamento reservado exclusivamente ao fundador.
Todos os outros professores, ou mestres, por mais notáveis que sejam ou tenham sido em vida são tratados por "Sensei".
(2) "Dojo", é o local, a escola, onde se pratica artes marciais.
(3) "Uchi deshi" designa o aluno que vive no dojo ou na residência do seu mestre e lha dá assistência em regime permanente.
(4) "Tatami" numa tradução literal designa uma prancha de palha de arroz muito prensada e cosida, coberta com revestimento de junco macio, que constitui o soalho das casas japonesas. No presente contexto designa a área coberta de "tapetes" sobre a qual se pratica artes marciais.
(5) "Budo" significa à letra "o caminho (filosófico) das artes marciais".
(6) "Bushido" é o código de conduta do samurai ou do guerreiro.

Bibliografia: http://www.aikidofaq.com/misc/hakama.html

sábado, 21 de julho de 2012

O REINO DE DEUS


Hoje quero começar a falar um pouco sobre o Reino de Deus; especificamente “O que Ele é”. Acredito que em qualquer época nunca foi fácil falar do Reino do Senhor, devido às grandes transformações sociais e de comportamento em nosso mundo.

Nos anos 60, por exemplo, havia os “hyppies”, que se vestiam mal, davam trabalho para freqüentar as aulas na escola, não se preocupavam com a aparência, com a prosperidade e o sucesso. Eles não faziam muitas perguntas sobre o sistema, mas se opunham às guerras, aos conflitos étnicos, enfim, a coisa era baseada num princípio de “paz e amor”.

Nos dias de hoje as coisas mudaram muito em relação àquela época. Hoje há questionamentos importantes como: “O que há em tudo isso que me interessa? Quanto vou ganhar? Que benefícios você me promete? Serei promovido com rapidez? O que há de errado com a cobiça? Como posso ser o número um?”. Que mudança!

COMO O JOVEM ATUAL VÊ A VIDA?
(Uma reportagem da revista Fortune)

  1. Que a vida bem sucedida significa independência financeira, e que o melhor meio para se obter isso é chegando ao topo da empresa.
  2. Acreditam que possuem a capacidade de serem os melhores.
  3. Estão voltados mais para a área empresarial. Acreditam que a empresa que mais produz resultados são as mais dignas do mundo.
  4. Vêem qualquer coisa que retarde sua ascensão ao podium do sucesso um grande prejuízo.
  5. Lealdade não significa muito, pois andam sempre com seu “curriculum vitae” na mão. Se numa determinada companhia não chegarem ao topo, não há nada de errado passar para outra.
  6. Que eles são mais criativos e imaginativos dos que ocupam posições chaves nas empresas, e que não têm muito que aprender com os atuais líderes. Isso tudo nos leva a uma grande pergunta:

HÁ EXCELÊNCIA NESSE TIPO DE VIDA?

  1. Falando francamente não! Por que? Como já vimos é mais um sintoma de um outro momento (moda), na vida do ser humano. Depois, para se viver em um nível superior é necessário ter um pensamento claro, e um consciência de nós mesmos que vá além dos dias atuais. Em termos mais simples: O que eu represento ou significo para mim mesmo, para os outros e para este mundo. O que estamos deixando como base sólida para a geração vindoura?
    1. Para ser mais franco, é necessário saber lidar com o egoísmo e a cobiça.
    2. Para nós cristãos cabe uma pergunta: “Qual dos dois reinos vamos servir?”. O Reino eterno que Jesus nos apresentou, ou o reino “temporal de hoje”?
    3. Jesus disse: Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6:33)

2.       Mas na verdade temos um grande dilema. Muitos grupos religiosos aderiram à idéia desse reino temporal.
  1.  
    1. É pregado: “Se você deseja alguma coisa (sem de fato a pessoa ter a consciência de que o que está pedindo é mal), basta pedir e Deus lhe dará! Deus é bondoso! Ele é prosperidade!”.
    2. Com toda a certeza Deus dá, Ele é bom, Ele é próspero, mas tudo isso acontece dentro dos valores do Seu Reino Eterno. Tudo o que Deus faz por nós visa valores eternos em nossa vida temporal. Alguém diz: ”Senhor, eu quero ser o líder desta empresa porque eu tenho mais competência, do que aquele que está no cargo. Dá-me aquele lugar, em nome de Jesus!”. Essa pessoa está pensando que o outro indivíduo tem uma família para sustentar? Que ele lutou muito para chegar onde está? Por que Deus aproximou os dois, só para encher o coração de Seu filho de cobiça, ou para dizer-lhe: “Olha a posição que Eu te colocarei?”. Será que não foi para que compartilhasse a excelência d vida de Deus em primeiro lugar? Essas idéias são tão tentadoras, mas estão muito longe do que Jesus ensinou e exemplificou.
    3. Jesus ensinou algo aos Seus filhos, que decidiram pelo Seu Reino: 43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 44 quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. (Marcos 10:43-44) Examine o contexto e você entenderá o que Jesus está dizendo – havia uma disputa pela primeira posição. A questão é: “Cremos que se agirmos pelos princípios do Reino do Senhor podemos ser abençoados neste mundo?”. Eu não tenho dúvidas disto. Quer um exemplo maior do que a história de Abraão e Ló, quando tiveram que se separar? Ló escolheu as regiões de Sodoma e Gomorra (região rica e próspera), enquanto Abraão permaneceu no deserto. O resultado, todos nós conhecemos. (Gn. 13:5-18) Repare na promessa que Deus fez a Abraão, porque ele vivia nos princípios do Reino Eterno.

O QUE É O REINO DE DEUS?

  1. Não é algo físico. Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.(Romanos 14:17)

  1. Não consiste em palavras. Porque o reino de Deus consiste não em palavramas em poder. (1 Coríntios 4:20)

  1. É o governo do Senhor. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; (Isaías 9:6)

  1. O Reino de Deus é inabalável. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; (Hebreus 12:28)

UM CONSELHO E UMA PROMESSA


  1. O conselho de Deus: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. (Mateus 6:24) O que Deus está dizendo? Por acaso está dizendo que para servi-lo alguém deve ser pobre e miserável? De jeito nenhum! Jesus estava falando sobre o princípio de viver “SERVINDO AO MATERIALISMO”.
    1. Dê uma olhada ao redor, e diga quem está comandando este mundo? Deus ou o dinheiro?
    2. O que está acontecendo? As maiorias das pessoas tornaram-se servas do “outro reino”.  O resultado é a desgraça que presenciamos a cada dia, pelas notícias do rádio, televisão e jornais.
    3. A verdade é que temos medo que Deus não irá suprir nossas necessidades se aceitarmos o Seu governo em nossas vidas; então, não queremos que Deus nos governe. Veja o que Jesus disse:Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; (Mateus 6:32)

  1. A promessa: Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas(Mateus 6:33) Jesus está falando que Deus tem o poder para “anexar” na vida de Seus filhos, tudo o que a humanidade busca por outro modo. Ele está falando de um outro caminho para se vencer na vida. O caminho está nos princípios de Seu Reino.
    1. Perceba uma coisa: Deus promete dar ao homem tudo o que eles estão buscando por si mesmos. A diferença é que os valores do Reino de Deus são elevados, bondosos e edificantes. Eles geram harmonia/comunhão, amizade, companheirismo, respeito, etc. Os valores do “reino materialista” geram morte, roubo e destruição. É o que assistimos diariamente.
    2. Você me questiona: “Walter, eu estou convencido de que o Reino de Deus é melhor, mas é impossível viver dessa forma no mundo de hoje, e eu não seria chamado de bobo, tolo, etc?”. Eu responderia que sim, mas você não sofreria dos males que o teu próximo sofre – interiormente e exteriormente. Você saberá que está onde está pela força e poder de Deus, além de estar recebendo ajuda, força, encorajamento, proteção e direção divina. Como alguém pode ser protegido por Deus, se não age de acordo com os Seus princípios? Que sua ajuda? Então: Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. (Salmos 37:5)

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